A Datilógrafa

A Datilógrafa

Não há nada de novo em A Datilógrafa e é justamente isso o que seu diretor quer. O filme de estreia de Régis Roinsard faz parte de uma linhagem que o cinema francês alimenta de forma crescente nos últimos anos: é um feel good movie com visual estilizado que compensa a trama simples com uma direção de arte que enche os olhos. O filme se espelha nas comédias românticas hollywoodianas da virada dos anos 50 pros 60, época em que a trama se passa, tentando reproduzir não apenas seu visual, mas sua ironia inocente.

A história repete a velha fórmula da mocinha nascida no interior contra o mundo cruel da cidade grande, mas com menos conflitos que os de costume. A protagonista tem um talento nato para a máquina de escrever e seu patrão resolve colocá-la em concursos de datilografia. À medida que ganha títulos, ela conhece a “esperteza” dos que a cercam. Se bem que ninguém no filme é tão mau assim, o que transporta o interesse pela personagem de Deborah François, revelada em A Criança, dos irmãos Dardenne, unicamente para as competições.

Roinsard sabe que a curiosidade desses torneios ajuda a a vender seu filme e enche as disputas de personagens bizarros e situações pitorescas. Filma com capricho, dentro de sua proposta de estilizar ao máximo cada cena, abusando tanto das cores quanto da disposição dos objetos. Realmente há alguns achados visuais, mas o filme não oferece muito mais do que essa combinação de cenários e figurinos. O restante do elenco é competente, com destaque para Romain Duris e Bérenice Bejo, fiéis aos estereótipos saudosistas de seus personagens, mas o filme empaca no final porque resolve a relação entre os dois personagens principais mais rápido do que a desenvolveu. Não que o público-alvo vá se importar muito.

A Datilógrafa EstrelinhaEstrelinha½
[Populaire, Régis Roinsard, 2012]

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