David Strathairn, George Clooney, Patricia Clarkson, Robert Downey Jr., Jeff Daniels, Frank Langella

George Clooney, que se revelou um diretor surpreendente em Confissões de uma Mente Perigosa, aproveitou parte da equipe técnica de Syriana, pelo qual ganhou o Oscar de melhor ator coadjuvante, em sua segunda incursão na direção. Com um tema como este (história real, fato político-histórico), outro cineasta faria um filme de três horas, mas ele fechou o seu na metade deste tempo. Curioso que ele pareça ter muito mais (não numa avaliação aborrecida) por causa da quantidade de material que apresenta. Veja como é o preconceito… minha próxima frase é: “impressionante como isso vem de um ator revelado como galã de seriado de TV”.

George Clooney parece ser um cara muito legal. Seu carisma se reflete na tela e nas entrevistas que dá aqui e acolá. Mais que isso, é um artista consciente de um certo papel social, o que pode soar bobo e utópico, mas que ele converte muito bem na forma de um filme. Aproveita com precisão de imagens, depoimentos, entrevistas, gerando um longa quase documental, que poderia ter sido retirado de um belo arquivo de uma emissora de TV. Eu, que trabalho numa há um bom tempo, sei o quanto é difícil usar com parcimônia esse material e, mais ainda, conceder-lhe uma linha narrativa, que mesmo que pareça ingenuamente em busca da ética, é sempre muito honesta.

(Aparte: “honesto” virou uma palavra daquelas para se riscar de textos opinativos sobre obras de arte, não é? Falar que um filme é honesto parece simplista e redutor, mas eu sinceramente acho que há um grande exagero em depreciar uma palavra tão bonita.)

O tema é o macarthismo, o vilão não ganhou performer, a luta é simples: certo contra errado. Tá, o que é certo? O que é errado? Isso cada um decide para si. Clooney decidiu o que é o certo dele. E ele defende seu certo muito bem, com um filme econômico e direto, impecável tecnicamente (fotografia habilidosíssima e boa montagem). David Strathairn está perfeito. Ele é o herói da vez, o herói de verdade. Eu gosto de heróis, eu preciso de heróis.

Boa Noite, e Boa Sorte. ½
[Good Night, and Good Luck., George Clooney, 2005]

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