Tony Leung Chi-Wai, Tang Wei

Ang Lee nunca foi um cineasta necessariamente ousado, mas, a partir de O Segredo de Brokeback Mountain (2005), seu cinema parece ter sido tomado pelo academicismo. Essa tendência era um suporte essencial para aquele filme, já que o formato de melodrama clássico dava uma nova dimensão, universal, para uma história de amor entre dois homens. Em Desejo e Perigo, que apesar do Leão de Ouro no Festival de Veneza, demorou dois anos para chegar ao circuito comercial brasileiro, essa opção pelo acadêmico é reprisada, mas, apesar do filme ser um belo drama de espionagem, o formato funciona menos e o longa muitas vezes fica arrastado, apesar de nunca desinteressante.

Lee dirige o filme como se estivesse na Hollywood dos anos 40 ou 50, mas acerta mais a mão nas cenas de mais ação, que são poucas, sobretudo, no ápice, quando o protagonista sai da joalheria, excelente. Até lá a trama de espionagem tem altos e baixos, mas não consegue manter uma unidade de timing. O veterano Tony Leung Chi-Wai, no entanto, é um acerto: um dos atores que mais conseguem manter o equilíbrio em suas performances nos últimos 15 anos. Sua parceira de cena, a novata Tang Wei, surpreende com maturidade e sutileza num papel complexo, repleto de nuances e pequenos detalhes.

Apesar de se escorar em sua estética, Desejo e Perigo não tem os deslumbre que se podia esperavar. É um filme bonito plasticamente, mas não passa muito disso. Seu conjunto visual é que funciona, mas nem a direção de arte nem a fotografia são espetaculares, inclusive nas cenas de sexo, que causaram certo escândalo por serem supostamente explícitas, o que eu duvido muito, embora sejam bonitas. A busca pela beleza parece prejudicar o ritmo do filme, onde o que é mais perene é a música, assinada por Alexandre Desplat que comete, mais uma vez, uma linda melodia.

Desejo e Perigo EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Se, Jie, Ang Lee, 2007]

Comentários

comentários

7 thoughts on “Desejo e Perigo”

  1. Concordo com vc, o filme é lento sem aquele dinamismo dos modernos, mas não é desiteressante, cada detalhe e sutileza vai construido a relação entre os personagens.

  2. Concordo, belíssimo filme. A desopressão e ao mesmo tempo a fragilidade de um símbolo do poder político que se torna refém de seu próprio desejo sexual…Há com isso uma certa inversão de poder, quase inimaginável mas, que tem seus limites, assim como sexo e até amor. Mais uma vez Lee está por trás de um filme que ajuda a desfazer e refazer mistérios e tormentos da vida humana. O melhor Lee dos últimos anos, na minha opinião.

  3. Adorei o filme que me prendeu a atenção do começo ao fim “UMA OBRA DE ARTE” Um filme para guardar e recomendar com carinho

  4. Um filme espetacular! Discordo sobre o filme ter um rítmo arrastado. Ele prende a atenção do início ao fim e apresenta ótimo timing. É um filme elegante e muitíssimo bem feito.
    Ana

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