Béla Tarr

O Cavalo de Turim EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[A Torinói Lói, Béla Tarr, 2011]

O Cavalo de Turim é a sinfonia do caos de Béla Tarr. Um trabalho impressionante em sua composição visual e como metáfora do fim de tudo. Os seis dias na vida de pai e filha são um crescendo de pequenas catástrofes, mergulhadas de simbologia bíblica. Um texto numa tela negra oferece o filme como se fosse uma continuação da história que terminou com o início da demência de Nietzsche. O espectador acompanha a jornada de volta para casa do carroceiro com que o filósofo havia se encontrado.

Na primeira cena, a câmera do húngaro baila em busca do homem e de seu cavalo por tanto tempo que, a certo ponto, a música e a imagem nos levam para um outro status, não de contemplação, mas de torpor. Quando chega a seu destino, os personagens entram numa rotina de degradação em que, a cada dia, aumentam os problemas e mudam os pontos de vista. Tarr filma isso da forma mais bonita e fantasmagórica possível, criando um conceito muito próprio de tempo, se atendo aos menores detalhes e valorizando a repetição.

Pai e filha, aos poucos, parecem de sobreviventes de um mundo sem esperanças à categoria de próximas vítimas de um destino implacável, do qual não se pode fugir, somente aguardar olhando pela janela.

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