Confesso que fui ao cinema com preconceito. Não gosto da figura do Domingos de Oliveira. Acho um tipo too much malandro, que me incomoda (e ainda é pai da Maria Mariana – ela deve ter sua importância, mas não pra mim). E o fato de a Priscilla Rozenbaum ter tirado o prêmio de melhor atriz em Gramado da Débora Fallabella também não me deixava muito feliz com o filme. Mas juro que a cena inicial, um almoço entre amigos, me surpreendeu. Texto engraçado, solto, personagens no clima. Nesta cena, o diretor está hilário como ator principal… isso quando dá pra entender o que ele fala. Que dicção é aquela? Bem, comecei a me enamorar do filme, que às vezes é Woody Allen, às vezes Comédia da Vida Privada, mas aí vem o mal do que sofrem os longa-metragens. Eles são longos. Quando o roteiro sustenta, beleza. Quando não, acontece o que acontece com Separações (02). Seqüências chatas. Humor maçante. Risadas esparsas. A não ser quando há um descontrolado no cinema (havia um nesta sessão). O elenco é irregular, com destaque para o personagem de Ricardo Kosovski, que é profundamente irritante tentando fazer graça o tempo inteiro.O filme tem seus bons momentos. Na comédia e no drama. O texto é bom, mas nada genial. Existe uma preocupação em ser moderno, mas isso a gente tira de letra. O problema é que fica na trave. Se fica, não é gol. Só ameaça. Pequeno Dicionário Amoroso (97) era melhor. E nem era essas coisas todas.

P.S.: os figurinos do ator-diretor são as coisas mais horrendas que um ser humano já teve o desprazer de ver.

Separações
[Separações, Domigos de Oliveira, 2002]

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