Em janeiro, a campanha de marketing para que Tão Forte e Tão Perto concorresse ao Oscar era tão forte que, nas passagens de bloco da cerimônia do Critics Choice, propagandas convidavam para assistir ao longa, que era chamado de “o melhor filme do ano”. Curiosa essa ‘imparcialidade’ já que a produção de Stephen Daldry era um dos candidatos àquele prêmio. Spots em várias emissoras de TV e cartazes espalhados por Los Angeles pareciam querer recuperar o tempo perdido, já que o filme, cuja produção atrasou, não conseguiu ser visto pela maior parte dos críticos antes de serem fechadas as listas de melhores de 2011.

A candidatura do filme de Daldry parecia com os dias contados. Mesmo porque quase ninguém que havia conseguido vê-lo tinha realmente se empolgado. Mas o diretor inglês se confirmou como um mestre do marketing, emplacando duas indicações para o longa na lista do Oscar. Nada que ele já não tenha feito antes. Daldry é um dínamo: dirigiu somente 4 longas, todos foram candidatos aos Oscar de melhor filme ou direção. Na maioria das vezes, conquistou essas menções com golpes sentimentais, como O Leitor, seu trabalho mais medíocre.

Tão Forte e Tão Perto é um pouco melhor, mas peca justamente pelo fato de tentar cooptar o espectador com tanta força. A certa altura, o garoto vivido por Thomas Horn pergunta para um homem que ele não conhece: “você me perdoa?”. O pedido se referia ao que algo que o protagonista havia feito para uma terceira pessoa. Bem difícil comprar tamanho espírito elevado, que busca expiação num estranho. Difícil comprar a comparação das lágrimas da personagem de Viola Davis com as de um elefante.

Por sinal, todo o encanto de Horn em Tão Forte e Tão Perto” acaba quando seu personagem fica histérico. E são muitas cenas assim. Cenas que deixam o personagem-clichê do veterano Max Von Sydow mais simpático e cenas que revelam uma grande atriz chamada Sandra Bullock. Discreta, sóbria, ela nunca parte para o excesso. É possivelmente seu melhor papel dramático. Mas o que alenta mesmo neste filme é que ele consegue emocionar muito menos do que tenta. Cai rapidamente no esquecimento, destino perfeito para bobagens como esta. Nem sempre o marketing consegue vencer.

Tão Forte e Tão Perto Estrelinha
[Extremely Loud & Incredibly Close, Stephen Daldry, 2011]

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2 comentários sobre “Tão Forte e Tão Perto”

  1. Por causa dessa mudança idiota de 10 filmes na disputa e não adiantou nada mudar a regra este ano por que chegou a 9,que acontecem essas esquizitices nesse prêmio.Esse filme indicado a melhor filme com apenas uma indicação de ator coadjuvante ? estilo sonho possivel anos atrás.Para mim seria sete filmes e cinco diretores:
    .o artista
    .drive
    .os descendents
    .arvore da vida
    .melancolia
    .o palhaço
    .meia noite em paris

    .terrence malick
    .diretor de drive
    .wood alen
    .alexander payne
    .michel hazanavicius
    boa lista chico?

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