Há exatos dez anos, os cinemas brasileiros exibiam dois filmes ingleses candidatos ao Oscar. O primeiro era Retorno a Howards End, cinema clássico e de época de James Ivory. O outro era Traídos pelo Desejo, pequena grande surpresa de Neil Jordan, que eu acabei de rever na TV. O filme começa como um thriller político onde um terrorista vira amigo de seu prisioneiro e se interessa pela namorada dele. Quando ele morre, o terrorista vai atrás de sua obsessão. Stephen Rea ganha aqui seu grande papel, coadjuvado pelos excelentes Forrest Whittaker e Miranda Richardson e pela promessa não cumprida de Jaye Davidson.

Traídos pelo Desejo é um filme que se revela aos poucos e isso talvez seja seu maior trunfo. A grande descoberta factual do filme é mínima perto das pequenas perguntas que o filme sugere sobre a mente e comportamento do ser humano: até onde vai o desejo e quando ele é amor? Quais são os limites para amar? O espectador que desconhecia previamente a história se choca e pergunta a si mesmo se aquilo vale a pena. Mas, o que é válido, afinal? Neil Jordan impõe um ritmo diversificado a seu filme, que vira thriller ou romance em cada esquina. Essa indefinição de movimento ajuda a entender que nem tudo é o que se pensa. Respira quem pode.

Traídos pelo Desejo EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[The Crying Game, Neil Jordan, 1992]

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