CORRIDA CONTRA O TEMPO

O diretor Kiko Goifman leva às telas em forma de documentário um drama real: a procura dele mesmo por sua mãe biológica

Na próxima sexta-feira, estréia em circuito o documentário 33, do cineasta Kiko Goifman. Em contato com a produção do filme, surgiu a oportunidade de uma entrevista com o diretor. Como não deu para ver o longa-metragem, que será exibido em Salvador num festival de cinema que começa esta semana, antes da conversa, não deu para se aprofundar na entrevista. O resultado, de qualquer forma, foi bem legal.

Por que levar uma história tão pessoal às telas em forma de documentário?

Foram muitas as motivações para colocar a minha história em um filme. A principal é que eu queria tocar em um certo tabu em torno da adoção. Existe uma esfera de segredo em torno deste tema, poucas pessoas aparecem dispostas a comentar esse assunto. Já que a abordagem ia por esse lado, achei mais interessante tratar minha história do que fazer um documentário mais tradicional com depoimentos de filhos adotivos.

“33” guarda elementos de romances policiais em sua narrativa. Como surgiu essa idéia e qual o impacto que isso pode ter sobre o público?

Sou fissurado por literatura policial. Achei que fazer um documentário dessa forma seria uma situação inusitada e me interesse por esse mistura pouco comum. Foi curioso trazer elementos de suspense, fotografia e ritmo para um documentário.

Recentemente, no caderno Mais!, da Folha de São Paulo, um professor de filosofia o acusou de fazer uma espécie de Big Brother com seu filme. Como você reage a isso?

Não entendi dessa forma. Não vejo uma acusação de repetir uma fórmula de reality show, mas sim que existem pontos de contato entre essas duas iniciativas. Jamais entraria em um esquema como os reality shows exigem. Jamais teria feito o filme se não tivesse o controle da câmera, da montagem etc.

Estamos numa época fértil para o documentário no Brasil. Como chamara atenção diante de tanta diversidade?

O que acho interessante é o documentário perder o antigo rótulo de cinema “chato”. Em um país com tanta diversidade é muito interessante que tenhamos documentários diferentes, não só nos temas, mas também em suas formas. Documentários nas telas dos cinemas e cada um resolvendo seus caminhos de investigação de forma peculiar!!!

“Tiros em Columbine”, “Ônibus 174”, só para citar alguns, apontam para um documentário mais engajado. A função do documentarista mudou nos dias de hoje? Como você se enquadra nesta nova perspectiva?

Documentários engajados como “Tiros em Columbine” são muito importantes. Se pensarmos na sociedade americana é fundamental um filme de crítica deste tipo. Só que eu me proponho a outra coisa. Já fiz documentários mais engajados, mas no caso do “33”, diferentemente de “Tiros em Columbine”, eu não tinha a resposta antes do filme. Só a busca trouxe alguns caminhos. Michael Moore sabe muito bem onde vai chegar antes de ligar a câmera.

Qual seu cineasta favorito, na ficção e no documentário?

Difícil eleger um. Documentaristas, somente brasileiros, eu destacaria Eduardo Coutinho e João Salles. E na ficção, para citar dois bem diferentes, Jim Jarmush e Alfred Hitchcock.

Depois de “33”, sua busca chegou ao fim?

Não respondo. Agora não quero falar disso.

33, de Kiko Goifman, estréia no dia 12 de março, no Espaço Unibanco e no Frei Caneca Unibanco Arteplex, em São Paulo. O site oficial do filme é www.33ofilme.com.br.

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