Homem de Ferro 2

Um filme fiel à essência dos quadrinhos, mas sem se exceder na reverência ao super-herói. Um roteiro bem escrito que leva a sério o universo em que mergulha e cujo maior dos méritos é equilibrar ótimas cenas de ação com o desenvolvimento dos personagens. Um elenco afinado em que cada um mostra isoladamente seu talento, mas que funciona muito bem em grupo. Estas são apenas algumas das boas coisas que se pode dizer sobre o filme que Jon Favreau dirigiu há dois anos. Sim, o filme em questão no primeiro parágrafo deste texto é o primeiro Homem de Ferro.

A brincadeira se justifica porque Homem de Ferro 2, que chega aos cinemas dois anos depois da primeira incursão do herói metálico em tela grande é muito parecido com o filme anterior. Parecido sobretudo no tratamento que Favreau e sua equipe dão a Tony Stark e companhia. O roteiro, desta vez assinado por Justin Theroux (aquele ator medíocre de Cidade dos Sonhos, de David Lynch), é impressionante porque, ao contrário do que se poderia esperar, aposta muito mais na evolução dos personagens do que em cenas de ação, típicas de uma sequência.

Estas sequências existem – e Favreau continua se mostrando bastante habilidoso para comandá-las – como na cena no GP de Mônaco de Fórmula 1, mas elas não são o foco. Diretor e roteirista parecem muito mais interessados em explorar o personagem complexo que é Tony Stark, um herói playboy e alcoólatra. Em cena, eles ganham mais uma vez o apoio imprescindível de Robert Downey Jr., cuja caracterização já impressionava no filme original e que aqui é ainda mais sarcástica e irônica, dando estofo ao humor ácido que permeia o filme, mas valorizando a melancolia solitária que está na base do personagem.

É o equilíbrio ideal. Sem a preocupação de introduzir um universo, Favreau dá mais espaço para os coadjuvantes. A Pepper Potts de Gwyneth Paltrow ganha mais importância na trama e a atriz acerta em praticamente todas o que não chega a ofuscar – mas também não perde para – a musa do filme. A Viúva Negra de Scarlett Johansson é quase uma mulher fatal de filme noir. Sua única cena de ação é coreografada lindamente. Um grande viva aos efeitos visuais. Favreau também garante sua cota na tela: seu Happy aparece bem mais e é dono de algumas das melhores piadas do filme.

Don Cheadle, que substitui Terrence Howard, foi um ótimo reforço à equipe. E do lado dos vilões, Mickey Rourke está impressionantemente sóbrio como Ivan Vanko. Por sinal, imaginar que Rourke e Downey Jr., dois ex-párias de Hollywood, agora dividem um filme dessa dimensão é bem divertido. Mesmo assim quem rouba a maior parte das cenas em que aparece é Sam Rockwell, um dos melhores atores da atualidade, que consegue fazer de seu genérico do Lex Luthor de Gene Hackman um personagem que se leva a sério, administrando a afetação com poucos conseguem.

É raros que tantos bons atores em momentos tão inspirados estejam no mesmo filme. E certamente boa parte dos méritos de Homem de Ferro 2 vem da harmonia do elenco. Ponto para Jon Favreau que, de intérprete mediano em comédias bobas, virou um diretor de atores exemplar. E quando texto e atuações são tão importantes quanto cenas de ação espetaculares num filme desse porte, pode ter certeza, por mais que o impacto em relação ao original possa parecer menor, Homem de Ferro 2 é uma pérola no meio de tantos filmes pilotados no automático.

Homem de Ferro 2 EstrelinhaEstrelinha½
[Iron Man 2, Jon Favreau, 2010]

Comentários

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7 comentários sobre “Homem de Ferro 2”

  1. Discordo raras vezes de suas críticas, este é um exemplo. Mais uma vez vc é condescendente com essa franquia.
    Para mim seria: HF1 (***) e HF2 (**).

  2. Parece que o Mickey Rourke estava saindo do set de “O Lutador” e chamaram ele para filmar. “Deixa só eu me trocar”// “Não precisa, vai assim mesmo.”

    Eu achei que é um filme para fãs de HQ. Se você não é, como é o meu caso, vale pelos efeitos visuais e a ação. Achei o roteiro pirotécnico e megalômano, do tipo vale-tudo: “Se eu posso ter 100 homens de ferro, por que me contentar com 1?”

    Scarlett Johansson está mais robo que os outros robos. Está pior do que a Gwyneth Paltrow! Isso é um feito.

  3. Grandíssimo Chico! Como sempre, mandando bem nos textos.

    Mas infelizmente eu não compartilho do mesmo entusiasmo. Achei BEM inferior ao primeiro, do qual sou fã. Muita subtrama, e o filme claramente não dá conta de sustentá-las. Sem contar que a sequência do GP, com um misto de humor boboca – qunado o Happy fica batendo o carro no Vanko – e ação só não é mais ridícula que a briga entre Stark e Rhodes na casa dele. E outra, que combate final mais sem graça, e que finalzinho inócuo, bem diferente do primeiro: “I’am Iron Man!”, muito mais foda, me minha opinião.

    Forte abraço.

    P.S: Putz, eu nunca veria esse filme pirata. (2x)

  4. Kleber, “X-Men 3” rendeu muito mais que os outros filmes da franquia. “Wolverine” vazou na rede dias antes de ser lançado, o que deve ter prejudicado em algum grau seu desempenho. “Superman – o Retorno” ficou aquém do esperado, mesmo assim rendeu 200 milhões de dólares. Não chamaria de fracasso… Os outros não eram filmes rão gigantes assim.

  5. ha uns cinco,seis anos atrás todo mundo dizia que a moda ,o tesouro das produtoras seria filmes sobre super herois.mas apenas os filmes do homem de ferro e do batman estão se dando bem.os unicos a disputar premios importantes e receberem notas altas da critica mundial.wolwerine,hulk,x-men 3,homem aranha 3,wacthamen,motoq fantasma,demolidor,superman o retorno foram fracassos nesse meio.e esses personagens que estão no auge não tem poderes.será que o povo de hoje não engole facil filmes que não tem um pouquinho sequer dos pés no chão,ou é apenas uma coincideincia ?

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