Selton Mello, Paulo José
O Palhaço
O Palhaço, Selton Mello

É difícil defender algo que você ama demais, mas nenhum filme que eu vi em 2011 mexeu comigo como O Palhaço. A história do homem em conflito que tenta buscar direção e sentido para sua vida é filmada com uma melodia que me contagiou. Desde que a trilha se revelou nos minutos iniciais do filme, eu já sabia que meu destino estava selado. A música estabelece exatamente o que Selton Mello pretende para o filme: o encontro entre o autoral e o popular. Isto está no tema, na trilha e na maneira de filmar. Está na concepção do elenco como um grupo. Está nos movimentos de câmera cuidadosos, na direção de arte caprichada e nas participações carinhosas. Selton enche o filme delas, mas faz valer cada uma. Moacyr Franco, como o delegado, é a melhor delas.

O longa tenta buscar o meio do caminho entre a herança e a missão, entre o ser e o dever. E, nessa jornada, encontra a sensibilidade sem se esforçar muito. O diretor tinha enganado a gente com sua estreia, Feliz Natal, um filme visualmente bonito, rigoroso e afetado. O cineasta que ele escondia é esse aqui que dirigiu ‎O Palhaço, uma pequena obra-prima, o melhor filme do ano. É impossível não parir adjetivos. Selton comanda o filme como quem embala um filho, com amor mesmo. O Palhaço é autêntico, doce, sincero. De uma beleza incrível.

James Momoa

Conan, o Bárbaro EstrelinhaEstrelinha
Conan, the Barbarian, Marcus Nispel

Conan, o Bárbaro é exatamente o que seu diretor imagina de um bom filme de ação: fotografia “documental”, som alto, história simplista. James Momoa tinha mais talento dramático em seus grunhidos em “Game of Thrones”. Mas o novo “Conan” retrata bem o cinema de ação que interessa Hollywood hoje em dia: o filme pasteurizado, que não fede, mas tb não cheira.

Ryan Reynolds

Lanterna Verde EstrelinhaEstrelinha
Green Lantern, Martin Campbell

Este filme não é a tragédia que o trailer anunciava, mas bom mesmo não é, não. Ryan Reynolds não fede nem cheira como Hal Jordan. Mark Strong como Sinestro e Peter Saarsgard como Hector Hemmond são os melhores em cena. A concepção do personagem está certa, mas falta substância em praticamente tudo. Os diálogos sobre medo são para crianças de 5 anos. O visual, embora eu ache que poderia ter sido pior, é questionável. A máscara é deprimente. As “lentes de contato” azuis, mais ainda. No entanto, a concepção visual do Parallax é ótima. Deveriam fazer algo assim num fututo filme sobre “Crise nas Infinitas Terras”. Mas o fim da ameaça é rápido demais. O melhor do filme é como tira onda da própria história: “anel mágico”, “pista de corrida”… O bom humor faz o material ser melhor digerido. Mas falta um roteirista com um texto de gente grande

Rose Byrne, Kristen Wiig

Missão Madrinha de Casamento EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Bridesmaids, Paul Weig

Delicioso o Missão Madrinha de Casamento O filme mais hilário do ano, ganha de todos seus pares masculinos. Há cenas de se contorcer, com destaque para o duelo das damas de honra ao microfone e a tentativa de chamar a atenção do policial comentendo todas as possíveis infrações de trânsito. Elenco afinadíssimo. Kristen Wiig está excelente. Melissa McCarthy e Maya Rudolph, ótimas. E ainda tem o último papel de Jill Clayburgh. E um showzinho comeback do Wilson Philips.

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