Cinco EstrelinhaEstrelinha, Abbas Kiarostami
[Five – Five Long Takes, Irã/França, 2004]

Abbas Kiarostami, realizador de grandes obras, resolve pregar uma peça no público cativo de seus filmes. Planta a câmera em frente ao mar em cinco cenas de cerca de dez minutos. Os que sabem mais do que eu explicaram que aquilo era um exercício de contemplação. Pois bem, eu contemplei, contemplei e a única conclusão a que cheguei é que Kiarostami quis nos chamar de patos. Patos que estão lá para ver o que ele tem a dizer, mesmo que seja sem palavras. Por isso, é tão metafórica a quarta seqüência desta preciosidade: quando nós, os patos, ficamos andando de um lado para o outro sem saber para onde ir. Eu era aquele último, sempre atrasado.

O Amor em Cinco Tempos EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½, François Ozon
[5 x 2 – Cinq Fois Deux, França, 2004]

Tem muita gente que não se cansa de atacar o cinema de François Ozon. Cinema competente, quase sempre. As cinco cápsulas que contam a história de um casal do fim para o começo (idéia nada nova, mas bem executada) são pontuadas pelo habitual amor do diretor pelo kitsch, encarnado desta vez em músicas italianas bem popularescas. Valeria Bruni-Tedeschi, fascinante no comando da ação, consegue transitar com habilidade entre o drama, o cínico, o sofrido, o sensual.

O Filho da Prostituta Estrelinha½, Michel Sturminger
[Huresohn, Áustria/Luxemburgo, 2003]

Desagradável. Um filme realmente deprimente. O roteiro já é ruim (baseado em livro, vejam só) e o resultado fica pior quando soma-se a falta de competência do diretor para a encenação e as interpretações medíocres. Tudo sucumbe facilmente a soluções clichês, cristalizados no ápice da história.

Bem me Quer, Mal me Quer EstrelinhaEstrelinha½, Maria de Medeiros
[Je t’Aime Moi Non Plus, França, 2004]

Críticos x Cineastas. A eterna batalha ganhou registro num belo e simples documentário de Maria de Medeiros. A portuguesinha adorável escolheu o caminho da imparcialidade para mostrar o duelo de idéias entre os dois lados. Com declarações que vão do sarcasmo do crítico do Libération ao quase-choro de Wim Wenders, o filme é montado como capítulos de uma história de (des)amor, o que funcionou bem.

Maria Cheia de Graça EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, Joshua Marston
[Maria Full of Grace, Colômbia/Estados Unidos, 2004]

Eis um belo filme, sem esforço. A história de Maria, a colombiana que sonha em melhorar de vida e, mesmo grávida, vira mula do tráfico de drogas para os Estados Unidos, tinha tudo para partir para o apelativo, mas faz a direção contrário. Examina com distanciamento político, social e religioso os caminhos do imigrante ilegal e do homem comum em busca de alguma coisa melhor. O diretor é norte-americano, mas dribla a visão viciada da questão. A protagonista Catalina Sandino Moreno, linda, está perfeita.

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