Aniki-bobó, de Manoel de Oliveira.

Bem, não vou me prolongar muito. Não há quase nada a dizer. O filme é lindo, encantador e, quer se queira ou não, já lança vários dos olhares sobre o mundo que nós vemos (bem mais elaborados, obviamente) nos filmes mais recentes de Manoel de Oliveira. Curioso foi ouvir comentários sobre como o filme era engraçado, o que ele certamente é, mas esta pérola, que se considera o marco zero do neo-realismo (essas coisas são sempre questionáveis), é muito mais do que um filme bonitinho. É um filme sobre o mundo, sobre confrontar-se, sobre crescer.

500 Almas, de Joel Pizzini.

Belo filme de Pizzini, que é extremamente carinhoso com a apresentação dos remanescentes da tribo Guató, que sobrevivem no Pantanal Mato-grossense. O documentário é intercalado por aparições de Paulo José, que nas peles de generais, juízes e religiosos ajuda a compor o histórico do povo, que foi considerado extinto por quase uma década. Algo que eu pensei que não fosse funcionar, mas que se revela bem eficaz a cada nova intervenção. A fotografia, a cargo de Mário Carneiro, que assinou vários filmes do Cinema Novo, é um dos pontos altos do filme, que peca apenas porque muitas das cenas onde há sobreposição de sons ficam incompreensíveis.

Caminhão Cinza Pintado de Vermelho, de Srdjan Koljevic.

Um homem daltônico que acaba de sair da cadeia e uma roqueira revoltada que descobre que está grávida. Os cenários são as estradas das repúblicas da antiga Iugoslávia, em 1991, quando a guerra civil começava a esfacelar o país. Enquanto surge uma história de amor cheia de piadinhas dentro da boléia do caminhão, a dupla cruza os mais diferentes grupos étnicos e políticos, mas não percebe muito bem o que está acontecendo. O diretor faz de tudo para reforçar este clima away, dando características extremamente simpáticas para as personagens, que, mesmo quando mergulhados na crise do país, estão completamente alheios ao contexto. A brincadeira fica forçada porque as idéias até são boas, mas sua tradução nunca funciona plenamente.

 

Comentários

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2 comentários sobre “Mostra SP 2005: dia 8”

  1. Que legal, vc estar em Sampa, Chico! Se tiver oportunidade, assista “Uma Vida Iluminada” e “Nove Vidas” que simplesmente são espetaculares! Quem sabe a gente não se encontra por ai…

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