Eric Khoo

Tatsumi EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Tatsumi, Eric Khoo, 2011]

O singapuriano Eric Khoo, do chatinho e saudado Fica Comigo, arriscou uma mudança de estilo. Em Tatsumi, ele faz um biografia em forma de animação, homenageando um desenhista que inventou um novo gênero de mangás, mais realista e explícito na sexualidade. O resultado é acima da média porque Khoo mistura a história de seu personagem com as histórias que ele escreveu, dinamizando a trama. A ousadia da animação, que respeita o material original e se afasta dos padrões que costumamos ver, serve como tradução para a vida do autor. O filme vai acertando até o final, em que o peso de se fazer uma biografia surge e encerra esquematicamente a homenagem.

Miranda July

O Futuro EstrelinhaEstrelinha
[The Future, Miranda July, 2011]

A afetação nerdie de Miranda July incomoda muito. A diretora não tem a mão para saber quando deve parar de encher seus filmes com esquisitices fofas. O Futuro é bem melhor do que a estreia nefasta de July, Eu, Você e Todos Nós, onde parece decretar que todo mundo é imbecil. Aqui, ela não está interessada em “revelar” os pequenos segredos de cada um, mas procura deixar claro sua delicadeza débil, inserindo devaneios em todas as cenas. Na melhor delas, quando os namorados começam a imaginar a vida separados, o filme parece começar a apresentar um olhar interessante sobre solidão, mas July mais uma vez recorre a maneirismo indies e complica o resultado. Pode torcer pro animal-narrador com voz de bebê se dar mal, eu deixo.

Pierre Duculot

A Milhas de Distância EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Au Cul du Loup, Pierre Duculot, 2011]

O material é clássico: mulher ganha uma casa no interior de herança e se apaixona por uma nova possibilidade de vida. O diretor Pierre Duculot até que trata o material de maneira menos óbvia, mesmo não foge dos elementos comuns: novo interesse amoroso, descoberta de segredos do passado, conciliação com a família. O pacote só não fica insatisfatório porque o diretor fotografa muito bem sua locação e ela ajuda a produzir o clima pretendido.

Geraldine Doignon

Vida que Segue EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[De Le Vivant, Geraldine Doignon, 2011]

A estreante Geraldine Doignon entra aqui num terreno pantanoso, o dos filmes sobre reuniões de família em que os parentes lavam roupa suja. Em Vida que Segue, a morte da matriarca libera os ânimos dos personagens, que explodem em frustrações, ressentimentos e carências. Doignon conduz a trama com certa dignidade e faz questão de estabelecer um clima tenso, sem concessões. O desenho dos personagens às vezes parece excessivo. Todos são absolutamente tristes. Mas a diretora trata de dar substância a essa infelicidade e resolve o filme sem trair sua proposta. As galinhas são fundamentais para a catarse.

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