A Gangue

A Gangue EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Plemya, Miroslav Slaboshpitsky, 2014]

Se ficarmos no clichê, A Gangue é uma monumental “experiência sensorial”. Afinal, qual foi a última vez que fizeram um filme de 132 minutos completamente “falado” em linguagem de sinais? A proposta parece assustadora, mas é exatamente disso que se trata o projeto: derrubar pré-conceitos. Nas primeiras imagens, o letreiro informa que o filme não trará legenda alguma para traduzir os gestos que os personagens do longa, principalmente garotos e garotas que moram numa espécie de internato para surdo-mudos, fazem para se comunicar. Ao espectador comum, é oferecida a experiência de ver o filme em condições semelhantes às que um deficiente auditivo assiste a um longa “normal”. Mas o que poderia se transformar num experimento típico de festival de cinema se revela um filme poderoso sobre jovens que raramente encontram “voz” numa Ucrânia dominada, nos mais variados níveis, pela corrupção.

O cineasta, que deve ser um fiel espectador dos filmes da vizinha Romênia, pega emprestado em seu primeiro longa-metragem, a maneira documental de contar uma história de ficção e cria um conceito estético que dá um ritmo surpreendente ao longa: cada cena é um plano-sequência comprido, mas cheio de movimento, geralmente com vários personagens interagindo. A fórmula funciona para capturar a atenção de quem assiste e ajuda a decodificar a linguagem de A Gangue. É impossível decifrar cada diálogo, mas a história envolvente é desenhada sem grandes traumas. O sexo e a violência, que geraram certa polêmica aparecem naturalmente na trama, completamente costurados ao desenrolar da ação. Mais do que a “experiência sensorial” que o filme vende, A Gangue é a prova de que o cinema ainda continua a driblar os limites da linguagem.

A Caverna

A Caverna Estrelinha½
[La Cueva, Alfredo Montero, 2014]

O segundo filme do espanhol Alfredo Montero é uma sucessão de tropeços. O primeiro deles é transformar seus cinco protagonistas num bando de idiotas que saem numa excursão “muito maneira” por lugares selvagens e descolados. Quando os personagens começam a viver uma experiência perigosa, ninguém está mais torcendo por qualquer um deles. O segundo problema é se apoiar numa estética que já está exaurida há algum tempo: a do terror feito por câmeras de vídeo que passa a impressão de “vida real” inaugurada por A Bruxa de Blair e banalizada em trocentos filmes como a série Atividade Paranormal. O terceiro – e talvez o pior – é retomar todos os temas possíveis derivados do isolamento, sempre da maneira mais tradicional. Embora garanta alguns sustos, A Caverna é uma reciclagem tão gratuita que seus 80 minutos parecem uma eternidade.

Mateo

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[Mateo, Maria Gamboa, 2014]

A estreante Maria Gamboa tenta tornar Mateo um filme importante dentro de um pouco profícuo cinema colombiano. Cria uma história que cutuca as estruturas de poder em pequenas comunidades, a violência da periferia e alerta para como a juventude se seu país se encanta pelo crime como uma forma de mudança de vida. O problema é que fora dos limites de seu país o filme, eleito pela Colômbia para disputar o Oscar, parece uma experiência bem-intencionada, mas muito banal. A dramaturgia parece televisiva e o encantamento do protagonista pelo grupo de teatro que deveria espionar guarda algumas semelhanças com o brasileiro, Tatuagem, que é muito mais refinado, bem dirigido e interpretado. Diante disso, Mateo é mais curioso do que necessariamente um bom filme.

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