Uma das mais deliciosas coisas do ano é a hora de tentar adivinhar quem vai concorrer ao Oscar. Vou começar hoje a fazer minhas previsões falando dos títulos que têm mais chances. Obviamente, tudo ainda é tiro no escuro já que muitos filmes ainda nem foram lançados mesmo nos Estados Unidos.

Brokeback Mountain, de Ang Lee.

O filme de Ang Lee foi muito bem recebido pela crítica, ganhou o Leão de Ouro em Veneza e tem tudo para ser um filme com muitos representantes na noite do Oscar. Pode emplacar filme, direção, roteiro adaptado, fotografia, montagem, trilha, canção e quem sabe render uma indicação de ator para o Heath Ledger.

Memoirs of a Geisha, de Rob Marshall.

O roteiro passou pelas mãos de Spielberg e foi parar nas mãos do diretor de Chicago, que ganhou Oscar pra caramba. Pode aparecer entre os melhores filmes e diretores, mas deve fazer bonito mesmo nas categorias técnicas, como fotografia, direção de arte, figurinos, montagem, trilha e som. Zhang Ziyi, melhor atriz? É possível. Gong Li ou Michelle Yeoh entre as coadjuvantes? Também.

Breakfast On Pluto, de Neil Jordan.

Filme de ator: Cillian Murphy, cotadíssimo. Roteiro adaptado ou um dos coadjuvantes de luxo (Stephen Rea, Brendan Gleeson ou outro – tem um mais provável deque não lembro agora – mas todos têm chances pequenas).

King Kong, de Peter Jackson.

Se a Trilogia do Anel emplacou mesmo, ele sai do abismo dos prêmios muito técnicos (efeitos visuais, som e edição de som). Pode aparecer com fotografia, montagem, direção de arte, trilha e, quem sabe, alguma categoria maior…

North Country, de Niki Caro.

Charlize Theron, mulher forte, melhor atriz. Frances McDormand, mais forte ainda, atriz coadjuvante.

Crash, de Paul Haggis.

O diretor escreveu Menina de Ouro. A história meio-Magnólia deste aqui deve render um roteiro original, talvez montagem. Matt Dillon está sendo apontado como um dos favoritos para ator coadjuvante. Thandie Newton e Terrance Howard também têm chances. Filme e direção são mais difíceis, mas o filme pode ser a surpresa independente.

O Jardineiro Fiel, de Fernando Meirelles.

Duvido muito que o Meirelles emplaque, mas não é impossível. Ralph Fiennes tinha tudo para conseguir entrar, mas o diplomata cego que ele interpreta em The White Countess parece ter mais chances. Quem sabe não sobra pra gracinha da Rachel Weiz? Roteiro adaptado, bem capaz.

Jarhead, de Sam Mendes.

O filme de guerra barra-pesada pode ser um sucesso a la Platoon ou ficar com as técnicas de montagem, som, fotografia. Se emplacar, pode conseguir filme, direção, roteiro adaptado, entre outras. Peter Sarsgaard deve ser o representante do elenco na noite do Oscar.

A Luta pela Esperança, de Ron Howard.

Deveria ter sido lançado no fim do ano passado e concorrer neste ano, mas tudo atrasou e foi jogado para o meio do ano, época fraca para oscarizáveis. como não fez sucesso de público, só leva algo grande se a Academia entrar na do Ron Howard, o que não é tão complicado já que eles engoliram Uma Mente Brilhante. Mesmo assim, é difícil. Tem mais chances com o coadjuvante Paul Giamatti e a direção de arte, figurinos e trilha.

Mrs. Henderson Presents, de Stephen Frears.

Os irmãos Weinstein devem investir pesado na campanha, herança do seu comando na Miramax. Se for muito boa, pode até entrar em filme e direção. Se não, deve se limitar a roteiro original, direção de arte e fugurinos, talvez trilha, e a aposta certeira da Judi Dench e a quase certeira do Bob Hoskins.

All the King’s Men, de Steven Zaillian.

Tudo pode acontecer. O cara escreveu A Lista de Schindler e Gangues de Nova York. mas refilmagem (e de filme que ganhou o Oscar – A Grande Ilusão, 1949 – raramente se dá muito bem. Pode entrar em filme e direção porque faz a linha filmão sério e político. Mas certo é roteiro adaptado, ator (Penn, no auge do carisma), algum coadjuvante (Jude Law, Patricia Clarkson) e montagem.

Match Point, de Woody Allen.

Sucesso nos festivais. O maior de Allen em muito tempo. Há quem o considere seriamente para diretor. Roteiro original é certeza. E a Scarlett Johansson pode finalmente tirar o atraso da não-indicação por Encontros e Desencontros.

Walk the Line, de James Mangold.

A história de Johnny Cash pode pegar carona no sucesso de Ray e emplacar melhor filme e direção. Certeza é Joaquin Phoenix como melhor ator e Reese Whitterspoon como atriz ou atriz coadjuvante. Mais montagem, direção de arte, figurinos e som.

The Three Burials of Melquiades Estrada, de Tommy Lee Jones.

A Academia tem um amor especial por ator que dirige. Acho que não emplaca filme, mas Lee Jones pode ser lembrado pela direção e pela interpretação. Roteiro original, talvez. Barry Pepper pode roubar uma vaguinha de coadjuvante.

Syriana, de Stephen Gaghan.

Só tem chances em roteiro (ainda não foi definido se é original ou adaptado) e montagem. Talvez uma indicação de ator para o George Clooney.

Elizabethtown, de Cameron Crowe.

Dois Jerry Maguire na vida de Cameron Crowe? Impossível. Ainda mais se seu astro é a mala do Orlando Bloom. Kirsten Dunst e, mais provavelmente, Susan Sarandon têm bem mais chances. Roteiro original e canção talvez.

Munich, de Steven Spielberg.

O novo filme sério do diretor tem cara de muitas indicações: filme, direção, roteiro original, montagem. Talvez fotografia, trilha, direção de arte e som. Entre os atores, não parece tão forte, mas o Geoffrey Rush pode aparecer entre os coadjuvantes.

The New World, de Terrence Malick.

A nova volta do malditão Terrence Malick está sendo cotada como indicação certa em filme e direção, mas a versão do diretor para a história de Pocahontas parece mais certeza nas categorias “de época”: direção de arte, figurinos (talvez maquiagem) e mais fotografia, montagem e som. Christopher Plummer, coadjuvante, pode ter a primeira indicação. A novata Q’Orianka Kilcher entre as melhores atrizes? Duvido muito. Como coadjuvante, who knows?

Good Night, And Good Luck, de George Clooney.

Cresceu bastante depois do Festival de Toronto. Clooney pode emplacar entre os diretores. David Strathairn (ator) é uma boa aposta. Roteiro e fotografia também. E ainda tem direção de arte. A Patricia Clarkson e o próprio Clooney, again, como coadjuvante, têm chances. O grande ponto contra é que, sendo todo em preto-e-branco, pode ser considerado difícil.

The Producers, de Susan Stroman.

O gênero americaníssimo: musical. Roteiro adpatado, direção de arte, canção, som e, se for muito bem-sucedido, pode emplacar mais.

The White Countess, de James Ivory.

Raplh Fiennes, cego, melhor ator. Talvez roteiro original e as indicações praxe do James Ivory (direção de arte e figurinos). Se quiserem celebrar o último fruto do casamento Ivory-Ismail Merchant, este morto há pouco, pode rolar filme ou direção.

A History of Violence, de David Cronenberg.

Há quem aposte no Cronenberg, mas não acho que role. Maria Bello, coadjuvante, está cotadíssima, ainda mais depois de terem esquecido a moça por The Cooler. Ed Harris, outro grande favorito da Academia, pode emplacar mais uma indicação (coadjuvante). Viggo Mortensen, protagonista, tem sido citado com reservas.

Capote, de Bennett Miller.

A campanha está tímida, mas eu aposto no Philip Seymour Hoffman na pele do escritor. Grande ator, nunca lembrado. Catherine Keener pode surgir entre as coadjuvantes, mas quem viu seu nome crescer muito depois de Toronto foi Clifton Collins Jr. Roteiro adaptado pode ser.

Transamerica, de Duncan Tucker.

Felicity Huffman, da série Desperate Housewives, na pele de um transexual. Se a Academia for muito moderna, melhor atriz.

The Family Stone, de Thomas Bezucha.

A aposta Laços de Ternura do ano. Ninguém duvida da indicação da Diane Keaton, mas pode rolar um roteiro original e os mais crentes apontam até filme e direção. Pode aparecer em canção e com as coadjuvantes Sarah Jessica Parker e Rachel McAdams.

A Outra Face da Raiva, de Mike Binder.

Somente atriz (Joan Allen) e ator coadjuvante (Kevin Costner). Talvez roteiro e canção. Se emplacar, vai comprovar sua força porque foi lançado no primeiro semestre.

Melinda & Melinda, de Woody Allen.

Match Point deixa as coisas difíceis para esse, mas vá lá: chances mínimas para atriz (Radha Mitchell) e roteiro original.

Bee Season, de Scott McGehee e David Siegel.

Dois diretores? Eu, hein? Fala-se em chances para Juliette Binoche e Ricard Gere, atriz e coadjuvante. Poucas chances.

In Her Shoes, de Curtis Hanson.

Boa aposta. Filme de família que pode até aparecer nas duas categorias principais. Roteiro adaptado é mais certeza e fale-se muito de Shirley MacLaine e Toni Collette entre as coadjuvantes. Canção também.

Guerra dos Mundos, de Steven Spielberg.

Dakota Fanning seria genial, mas não vai rolar. Sobram as de sempre: som, edição de som e efeitos visuais. Chances para trilha e montagem.

E mais:

Broken Flowers, de Jim Jarmusch – Bill Murray, ator. Mas é difícil.
The Prize Winner of Defiance, Ohio, de Jane Anderson – Só e unicamente Julianne Moore.
Proof, de John Madden – Só e unicamente Gwyneth Paltrow.
Shopgirl, de Steve Martin – Só e unicamente Claire Danes.
The Chronicles of Narnia: The Lion, the Witch and the Wardrobe, de Andrew Adamson – Técnicas: direção de arte, figurinos, maquiagem, efietos visuais, som.
Batman Begins, de Christopher Nolan – Som, efeitos visuais, edição de som.
Everything Is Illuminated, de Liev Schreiber – Roteiro e uma muito longínqua chance para o Elijah Wood.
Wallace & Gromit: A Batalha dos Vegetais, de Steve Box e Nick Park – animação e, num mundo mais ingênuo, roteiro original.
A Fantástica Fábrica de Chocolate, de Tim Burton – Direção de arte e figurinos, talvez maquiagem e trilha.
Os Irmãos Grimm, de Terry Gilliam – Direção de arte e figurinos, talvez maquiagem e trilha.
Cruzada, de Ridley Scott – sorte se emplacar alguma coisa, de direção de arte e figurinos a som.
A Noiva-Cadáver, de Tim Burton – certeza em animação e pode rolar trilha e canção.
Oliver Twist, de Roman Polanski – As técnicas-artísticas (cenografia, figurinos, maquiagem, trilha).
Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith, de George Lucas – técnicas: som, edição de som, efeitos visuais. Se forem nostálgicos, fim de série e tudo mais, trilha.
Madagascar, de Eric Darnell e Tom McGrath – o lobby da Dreamworks pode roubar a vaga de um filme melhor entre as animações.
O Galinho Chicken Little, de Mark Dindal – animação, mas não é certeza.
O Castelo Animado, de Hayao Miyazaki – chances menores neste ano. Só se forem cinco animações.

Comentários

comentários

7 comentários sobre “Oscar 2006: uma primeira idéia”

  1. Engraçado, Moacy, todo ano quando começo a soltar minhas listinhas, alguém faz esta pergunta. Na verdade, eu costumo olhar pro Oscar bem além dessa discussão: vale-não vale, é justo-não é justo, business-arte. Não o menosprezo não, mas também não dou tanta importância assim.

    Pra mim, é delicioso fazer estas apostas. Eu gosto mesmo é tentar adivinhar quem vai ser indicado e, depois, quem vai ganhar.

  2. Quem viu Crash disse que não tem muito a ver com Magnolia, so mesmo a historia. Podem indicar o Giamatti por Cinderella pra compesar nao indica-lo por Sideways. Tambem acho que o Phoenix pode pegar carona em Ray. Gostaria de ver Jaheard concorrer, acho que Mallick tem uma indicação certa caso o filme seja bom mesmo.

  3. É, foram citados todos os filmes com chances reais (Brokeback, Jarhead, Munich, New World, Match Point, All the King’s Men, Walk the Line, etc) e alguns duvidáveis (King Kong, Elizabethtown, Memoirs of a Gueisha, etc).
    Na minha opinião, é lógico.
    Só uma correção: é A Luta Pela Esperança, e não A Luta Pela Liberdade.

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