Eu juro que sou um cara que acredita. Acredito que, no fundo, o bem vence o mal (ou pelo menos é a melhor opção), que vamos vencer o aquecimento global (ou pelo menos minimizá-lo), que vão fazer uma propaganda decente pra revista Piauí (embora eu não a leia e, assim, talvez passe a comprá-la) e que nenhum atleta estrangeiro ou brasileiro vai morrer com uma bala perdida no PAN do Rio (embora as coisas por lá não estejam na esportistas).

Enfim, eu costumo acreditar. E creio que parte desse meu convencimento na possibilidade de que as coisas dêem certo vem da quantidade de quadrinhos que eu li. Quadrinhos de super-heróis, basicamente. Nas páginas de uma HQ, por mais que crises cósmicas ameaçassem o futuro da humanidade e que grandes heróis morressem em sacrifícios grandiosos, tudo dava certo (ou quase) no final.

Foi assim que o trailer de Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado me encheu de esperanças de ver um bom filme de quadrinhos. Ou pelo menos um filme melhor do que o vexaminoso longa original, que muitos chamaram de bobo e divertido, mas que quem tem o mínimo contato com a principal ‘família’ da Marvel Comics sabe o quanto é distante do que o grupo representa.

Não que o trailer seja exatamente uma obra-prima, mas tinha tantos elementos instigantes que era impossível não se envolver. Tinha um dos mais filosóficos personagens da editora, o Surfista Prateado, a iminência do surgimento do devorador de mundos Galactus, a reaparição de um aparentemente mais ameaçador Doutor Destino. Tinha tudo para me fazer esquecer a futilidade do primeiro filme.

Imbuído deste espírito, acreditei que o elenco fraco pudesse estar mais à vontade com seus personagens e que pudessem me oferecer contato com algo mais próximo com nomes que fazem parte da minha vida de menino crescido há mais tempo do que eu possa calcular. Imaginei que Ioan Gruffudd poderia ser um Sr. Fantástico mais sério, que Jessica Alba poderia ser uma Mulher-Invisível mais forte, que Michael Chiklis pudesse finalmente impor o magnetismo de seu Coisa e que Chris Evans, o melhor em cena no filme anterior, mantivesse o espírito maloqueiro do Tocha Humana.

Fui cheio de boas intenções ao cinema. E o que eu ganhei? Um casal-protagonista completamente apático, um Coisa inexpressivo e um Tocha Humana reprisado e repetitivo. Um texto medíocre, com piadas estúpidas e timing zero, seja para a comédia (estrutura em que o filme teima em se apoiar), seja para o drama (constrangedor quando o o roteiro tenta criar tensão), seja para a aventura (porque não há absolutamente nenhuma cena que fique na memória por mais de cinco minutos).

A forma que se dá para Galactus até que é uma solução adequada porque materializar o personagem idêntico ao dos quadrinhos poderia fazer o filme afundar no ridículo, missão que os efeitos visuais, sobretudo os ligados aos poderes do Sr. Fantástico cumprem com louvor.

Resta Norrin Radd, um ser que vaga pelas estrelas sacrificando seu amor para poupar sua vida e a de seu planeta. Um homem cheio de conflitos que aceira ser arauto do mal para fazer um bem. A dedicação em criar o Surfista Prateado da forma mais crível possível é até louvável, mas Tim Story sabe como simplificar a complexidade de um personagem tão cheio de nuances. Melhor do que tudo foi a participação de Stan Lee, talvez a melhor do mestre num filme da Marvel.

Quanto a mim, eu me recuso a desistir. E preciso ler minha revista dos Vingadores antes de dormir.

Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado estrelinha½
[Fantastic Four: Rise of the Silver Surfer, Tim Story, 2007]

Comentários

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10 comentários sobre “Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado”

  1. MEU COMENTÁRIO SOBRE O TEXTO É DEZ A NOTICÍA SOBRE O SURFISTA PRATEADO É QUE ELE FEZ MAIS UMA COMPLEMENTAÇÃO COM O QUARTETO FANTÁSTICO,QUE FICOU PERFEITO JÁ QUE ESTAVA FALTANDO, OU SEJA, COMO SE TIVESSE FALTANDO MAIS UM COMPLEMENTO NESSE QUARTETO QUE É MUITO FANTÁSTICO.

  2. Concordo que Ioan Gruffudd e Jessica Alba não são grandes escolhas. Até ai, o Dr. Destino é bem, bem pior. Mesmo assim eu gostei muito do filme.

    Talvez porque eu não procure justificativas sérias para embasar o filme. O filme me ofereceu o que os quadrinhos ainda oferecem (graças a deus) – relaxar e curtir meus heróis favoritos salvarem o dia. Sem análises profundas e inspiradoras sobre se era necessário materializar o personagem ou a complexidade de um personagem tão cheio de nuances.

    Foi bem mais simples. Comprei a pipoca (não comprei, na verdade) e me diverti MUITO vendo minha equipe de heróis favoritos com o Surfista Prateado (ou “Penteado”, como escreveram na Paraíba).

    E quanto eu precisar de um personagem existencialista e um filme que discuta a profundeza do viver e suas idiossincrasias mais relevantes, não pretendo procurar em um Cinemão baseado em Quadrinhos. Muito menos no Homem-Aranha.

    Mas, cada um é cada um. 😉

    Abraço grande!

  3. Sinceramente, Caraça, não acho mesmo que os filmes do Aranha, do X-Men ou do Superman tenham derrapado não. Acho os números 2 do Aranha e dos X-Men obra-primas.

    Não vi o desenho, não tenho como comparar, mas não acho que o filme se atém ao básico. Ioan Gruffudd e Jessica Alba destroem qualquer cena mais séria.

    William, o Quarteto também nunca foi dos meus favoritos, mas eu esperava muito mais.

  4. Os filmes do Aranha, X-Men e Superman tinham a pretensão de serem algo mais do que uma pura diversão. Por isso que derraparam feio, alguns mais, outros nem tanto. O filme do Quarteto pelo menos se preocupou com o básico e se deu bem. Está no mesmo nível daquele desenho do Quarteto feito nos anos 90.

  5. Ser curto é um ponto positivo mesmo. Para uma porcaria como esse filme.

    Não vejo comparação possível com o último filme do Aranha, que mesmo não sendo nada perto dos outros tem uma qualidade de texto, interpretação, direção e criação de efeitos infinitamente superior a esse.

  6. Quarteto 2 > Aranha 3 = Piratas 3.

    Ser conciso como Quarteto 2 em tempos de blockbusters inflados e enfadonhos é uma arte.

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