Top 5: as melhores animações de todos os tempos, segundo Alê Abreu

Perguntei para o Alê Abreu quais eram os filmes de animação de que ele mais gostava e pedi para que escrevesse textinhos curtos sobre cada um deles para eu publicar aqui no blogue. Ele me respondeu no dia 15 de julho do ano passado e a lista permaneceu inédita até hoje. Imagino que hoje, poucas horas antes do Oscar, onde ele concorre ao prêmio de melhor longa de animação como o belo O Menino e o Mundo, não exista hora melhor para publicar o Top 5 do Alê. Ele, de cara, já avisa: “Não significa que sejam os melhores, nem estão em qualquer ordem de importância”. E lá vão eles:

Top 5 animações do Alê Abreu

Os Mestres do Tempo
[Les Maítres du Temps, René Laloux, 1982]

Não é o melhor filme do Laloux – eu diria que é Planeta Selvagem (ou Planeta Fantástico) – e também não é nenhum primor técnico, mas tem um “clima” incrível. Após um desastre, um menino perde-se num planeta perigoso. Descobri este filme quando estudava animação no Museu da Imagem e do Som, nos anos 8o, através de um livro sobre a arte do filme (que tem a participação do mestre Moebius). Mas naquela época não era tão fácil conseguir uma cópia. Então passei parte da minha adolescência imaginando diversas histórias para aqueles desenhos. Um dia, já com 17 anos de idade, finalmente pude assistir ao filme. Um marco na minha história da animação.

Meu Vizinho Totoro
[Tonari no Totoro, Hayao Miyazaki, 1988]

Talvez não seja o melhor dos filmes do mestre japonês (se me perguntassem, talvez eu dissesse A Viagem de Chihiro), mas é daqueles inesquecíveis. A história de descoberta das duas irmãs que acabaram de mudar-se para uma casa no campo, onde aguardam a mãe retornar do hospital, encanta adultos e crianças. Ouvi dizer que foi inspirada numa história verídica, de uma menina que desapareceu. Descobri um pequeno cinema de arte em Paris, onde apresentei O Menino e o Mundo“, que exibe Totoro todos os domingos, há vinte anos!

O Túmulo dos Vagalumes
[Hotaru no Haka, Isao Takahata, 1988]

Realizado pelo sócio do Miyazaki no estúdio japonês Ghibli, é mais um clássico da animação japonesa. A história dos dois irmãos que tentam sobreviver no Japão em meio a Segunda Guerra é muito emocionante. Não conheço uma alma viva que não tenha chorado exaustivamente na última sequência deste filme.

Ghost in the Shell
[Kôkaku Kidôtai, Mamoro Oshii, 1995]

Lançado no Brasil como O Fantasma do Futuro, é o terceiro Japonês da lista. Este é um policial futurista filosófico, sobre a tecnologia. Tem uma das cenas antológicas do cinema de animação, praticamente feitas só de cenários, com pouquíssima animação (a cidade). Este filme foi a inspiração principal para os Wachowski, em Matrix.

As Bicicletas de Belleville
[Les Triplettes de Belleville, Sylvain Chomet, 2003]

Acho um filme emblemático – por sua linguagem e ousadia. Lançado num momento em que a animação 3D conhecia seu ápice, as caricaturas 2D, a ausência de diálogos e o universo cativante deste filme nos lembra que a boa animação é aquela capaz de nos transportar para um universo crível e cheio de graça.

E o Alê Abreu ainda deu um chorinho: O Mágico [Sylvain Chomet, 2010], Wall-E [Andrew Stanton, 2008] (a primeira parte), Persépolis [Vincent Paronnaud & Marjane Satrapi, 2007], Planeta Selvagem [René Laloux, 1973], Pink Floyd – The Wall [Alan Parker, 1982], A Viagem de Chihiro [Hayao Myiazaki, 2003], e até filmes recentes como Ernest e Célestine [Stéphane Aubier, Vincent Patar & Benjamin Renner, 2012] e A Canção do Oceano [Tomm Moore, 2014], poderiam entrar nesta lista.

Comentários

comentários

Um pensamento sobre “Top 5: as melhores animações de todos os tempos, segundo Alê Abreu”

  1. meu vizinho totoro é um filme simples, mas de alguma forma muito especial para mim. Praticamente todo final de semana da minha infância ia para locadora alugar este filme. Era encantada pelas cores, pelo totoro, pelo gato Ônibus, sempre me emocionava assistindo. Espero que um dia quando eu tiver filhos eles assistam e sintam essa mesma mágica.

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