Brad Pitt, Melanie Laurent, Michael Fassbender, Christoph Waltz

Quentin Tarantino parece estar preso para sempre a um tipo de cinema que se baseia em violência, humor e citações, mas esse diretor ao mesmo que é tão fiel ao estilo que ajudou a desenhar é completamente hábil em fazer sua engrenagem funcionar que não há um só de seus filmes que não seja muito bom. Bastardos Inglórios é um Tarantino clássico, mas apurado. O diretor já tem 18 anos de carreira e filma melhor a cada novo trabalho que apresenta. A cena inicial deste filme é uma citação explícita à cena que abre Os Imperdoáveis.

Esta imagem inicial conduz o filme, em pouco mais de cinco minutos a uma daquela clássicas sequências de diálogos dos filmes de Tarantino, a conversa entre o fazendeiro e o coronel interpretado por um majestoso e impecável Christoph Waltz. O texto, ultra-preconceituoso, é tão articulado (e bem interpretado pelos dois atores) que a teoria do nazista desce fácil. A seqüência se encerra com mais um dos espetáculos tarantinescos de violência e uma fuga perfeita.

O filme não havia chegado nem ao primeiro quarto e já havia muito para guardar na memória, mas Tarantino não para por ali e nos apresenta a seu esquadrão classe A, a concessão humorística a sua história “séria”. Surgem Brad Pitt, Eli Roth, Til Schweiger e trupe, cada um com sacadas geniais na caracterização de seus personagens. Curiosamente, este filme é o que guarda a montagem mais comportada da editora Sally Menke, que cortou todos os longas do diretor. As peripécias estruturais se resumem a flashbacks que apresentam os personagens.

No mundo de Tarantino, a história de vingança encontra a História e não há qualquer preocupação de se a segunda poderia confinar a primeira a qualquer aprisionamento. A História está a serviço do cinema do diretor. Ele faz uso dela da maneira com quer, sempre com inteligência que garante substância ao filme. A afirmação final do personagem de Brad Pitt pode não ser a verdade. Mas isso pouco importa. Bastardos Inglórios não foi feito para ser um marco no cinema de Tarantino. Mas não deixa de ser curioso que seu filme mais formal seja, por razões outras, seu filme mais ousado.

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[Inglorious Basterds, Quentin Tarantino, 2009]

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