Feliz Natal

Selton Mello é um dos melhores e mais engajados atores do país. Cavou espaço na TV para nos entregar personagens singulares, como o Chicó de O Auto da Compadecida e o dândi de Os Maias. E foi corajoso o suficiente para dar uma parada numa carreira promissora e se dedicar ao cinema, onde voltou a mostrar como é um bom intérprete em filmes como Lavoura Arcaica ou Árido Movie. Resumindo, Selton Mello é um artista admirável. E é por isso mesmo que eu sinto um pouco não ter gostado tanto assim de seu filme de estréia.

Não que Feliz Natal seja um filme ruim. Muito pelo contrário. O longa é uma reunião de talentos, começando pelo excelente trabalho de fotografia, pela trilha precisa, pelo conjunto do elenco e pelo visível esforço do diretor em tornar tudo o que se vê bem feito, bem acabado, nada óbvio e com substância. No entanto, é igualmente perceptível como Selton recorre a certos maneirismos de cineasta estreante aqui. O tom triste, embora certeiro em boa parte das cenas, parece exagerado aqui e ali, como que feito para entregar ao filme uma aura de importante.

Há um namoro forte com toda aquela dramaturgia brasileira que se dedica à degradação familiar. Aqui, muita coisa funciona: Leonardo Medeiros, sempre bom; Darlene Glória, que vaga com um copo de uísque pela casa como um fantasma recorrente; e Paulo Guarnieri, que nos apresenta o personagem mais triste do filme de forma surpreendente. Mas Selton não consegue dar uma função ao personagem de Lúcio Mauro, que não se encaixa em nenhuma linha narrativa. E recorre a lugares comuns como as cenas da piscina (que parece enfeiada propositadamente, numa referência explícita a Lucrecia Martel) e com a sequência final do excelente garotinho Fabricio Reis.

Se ainda não é o grande diretor em que parece que vai se transformar, Selton Mello é, talvez, o projeto mais promissor de homem de cinema que o Brasil tem hoje.

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[Feliz Natal, Selton Mello, 2008]

Comentários

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3 comentários sobre “Feliz Natal”

  1. Olá, Chico!

    Já eu gostei muito do filme. Achei uma boa escolha para uma primeira experiência na direção e até gostei da participação de Lúcio Mauro.

    Claro que muita coisa ainda precisa ser melhorada, mas, como você, acredito que ele tenha um belo futuro como diretor.

    Um abraço

  2. Olá Chico,

    Sou leitor do Filmes do Chico e sou cinéfilo de carteirinha. Eu estou mandando esse email porque estou trabalhando numa empresa que desenvolveu um portal sobre cinema – o Cinema Total (www.cinematotal.com). Um dos atrativos do site é que você cria uma página dentro do site, podendo escrever textos de blog e críticas de filmes. Então, gostaria de sugerir que você também passasse a publicar seus textos no Cinema Total – assim você também atinge o público que acessa o Cinema Total e não conhece o Filmes do Chico.

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    Marcos

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