Teinosuke Kinugasa

Uma Página de Loucuras passou meio século perdido. O próprio diretor, que assinou 104 títulos num período de 40 anos, o encontrou num galpão, esquecido. Imagino que tenha sido uma das maiores descobertas da história do cinema. Numa época em que os olhos do mundo ainda ignoravam o cinema japonês, Teinosuke Kinugasa fez o que parece ser o filme definitivo sobre a insanidade, dotado de uma modernidade de linguagem que impressiona até hoje. Não por causa de um personagem ou de uma história, mas da forma que o diretor encontrou para traduzir a loucura.

A história acompanha um homem que entra disfarçado num hospício para tentar tirar a esposa, que está internada no local. A fotografia e a montagem alucinantes desmontam os sentidos do espectador e introduzem um estado de permissividade completa, de liberdade espiritual, algo que só se pode chegar quando se abstrai a consciência. A seqüência de dança que abre o filme é deslumbrante. O longa tem apenas uma hora, mas é devastador. Eu nunca canso de me impressionar com o cinema. Acabei de ver uma obra-prima.

Uma Página de Loucuras EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Kurutta ippêji, Teinosuke Kinugasa, 1926]

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