O pecado mora ao lado

Alucinações e passagens de tempo, no cinema, são geralmente condenadas às prisões que ganham a forma de sonhos ou flashbacks, a não ser que estejamos num filme de Freddy Kruger. Nesse sentido, Ferzan Ozpetek é bem radical na sua opção de não explicar as alucinações e passagens de tempo que são parte da espinha dorsal de seu filme: elas surgem em meio à linha narrativa principal naturalmente. A escolha do diretor é o que dá charme maior a A Janela da Frente, que tem um texto que procura fugir do óbvio embora conte uma história clássica. O resultado não dá mais certo apenas porque a solução encontrada é bem antiguinha. Giovanna Mezzogiorno, ótima atriz de O Último Beijo (Gabriele Muccino, 2001), lidera um elenco que, se não é excepcional, consegue dar densidade invejável a personagens tão comuns.

A JANELA DA FRENTE
La Finestra di Fronte, Itália/Inglaterra/Turquia/Portugal, 2003.
Direção: Ferzan Ozpetek.
Roteiro: Ferzan Ozpetek e Gianni Romoli.
Elenco: Giovana Mezzogiorno, Massimo Girotti, Raoul Bova, Filippo Nigro, Serra Yilmaz, Maria Grazia Bon, Massimo Poggio, Ivan Bacchi.
Fotografia: Gianfilippo Corticelli. Direção de Arte: Andrea Crisanti. Música: Andrea Guerra. Montagem: Patrizio Marone. Figurinos: Katia Dottori. Produção: Tilde Corsi e Gianni Romoli. Site Oficial: A Janela da Frente. Duração: 106 min.

nas picapes: The Nurse, The White Stripes.

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