As melhores intenções

O maior mérito do filme de Paul Weitz é justamente sua falta de preocupação com o quanto é óbvio, tolo, ingênuo em sua idéia, em seus objetivos. É isso que o deixa mais interessante. Veja bem, Em Boa Companhia tem uma missão: mostrar o quanto é cruel, injusto, impessoal, perverso o discurso das grandes corporações, do mercado de negócios, do mundo globalziado. Poderia facilmente ter assumido a forma de panfleto, como nos filmes de Michael Moore ou no recente documentário A Corporação, filhote direto dos longas do gorducho.

Mas Weitz preferiu um continho moral, que tem interpretações surpreendentemente muito boas de Dennis Quaid (poucas vezes tão dedicado) e Topher Grace. Isso, a meu ver, é ponto a favor do filme de Weitz. Ao encarar seus clichês e defendê-los até o fim, o diretor-roteirista surge tão sincero que se aproxima muito do que se entenderia por ideais puros, ainda não maculados pelos entendimentos mercantilistas. E o clima melancólico da trilha sonora reforça bastante essa idéia. Talvez seja exagero falar em humanismo, mas é algo bem próximo a isso.

EM BOA COMPANHIA
In Good Company, Estados Unidos, 2004.
Direção e Roteiro: Paul Weitz.
Elenco: Dennis Quaid, Topher Grace, Scarlett Johansson, Marg Helgenberger, David Paymer, Clark Gregg, Philip Baker Hall, Selma Blair, Frankie Faison, Ty Burrell, Kevin Chapman, Amy Aquino, Zena Grey, Enrique Castillo, Malcolm McDowell .
Fotografia: Remi Adefarasin. Direção de Arte: William Arnold. Música: Damien Rice e Stephen Trask. Montagem: Myron I. Kerstein. Figurinos: Molly Maginnis. Produção: Chris Weitz e Paul Weitz. Site Oficial: Em Boa Companhia. Duração: 110 min.

nas picapes: Tudo Vai Mudar, Mopho.

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