Natalie Portman

O fato deste filme ser sobre balé, uma arte conhecida pela rigidez, e de ter sido rodado com câmera na mão já merece aplausos. Mas esta é apenas uma das ousadias do novo trabalho de Darren Aronofsky, um diretor de extremos. Depois de fazer seu longa mais tradicional, O Lutador, onde sua experiência se limitava apenas à figura bizarra de seu protagonista, o cineasta resolveu se arriscar mais uma vez.

As bailarinas de Aronofsky trocaram o conto de fadas pelo de horror. Moram num ambiente de pressão extrema que transforma suas naturezas delicadas em carapaças de guerra. Como um comandante sádico, o diretor leva sua protagonista para a batalha, sempre tratando de investigar fronteiras e reforçar dicotomias. A leveza se confunde com a vilania, a fragilidade bate de frente com a determinação, o perfeccionismo esbarra na sanidade. Natalie Portman leva essa proposta aos limites de seu talento. Está em sua melhor forma.

O cineasta não está disposto a negociar: aposta num narrativa difícil, que assume a alucinação e materializa o invisível. Ele frustra as expectativas de quem só procura uma história porque está bastante interessado em dar corpo a seus excessos seja a que custo for. E esses excessos curiosamente parecem ter a medida certa. São espontaneamente funcionais. Mas só para quem estiver disposto. Se esse é um grande filme ou mais um experimento com prazo de validade, eu ainda não sei. Cabe a revisão. Mas somente o fato de triturar um universo idealizado já faz de Cisne Negro um filme raro.

Cisne Negro EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Black Swan, Darren Aronofsky, 2010]

Comentários

comentários

16 comentários sobre “Cisne Negro”

  1. Cisne Negro é um filme que me cativa, não pela temática mais visível: história da mãe, surtos psicognósticos, uso de dragas, mas sim pelo o dualismo, uso da câmera e principalmente, o processo de criação da dançaria – do limiar entre a vida e a obra de arte, tanto dela quando de seu diretor: o que acontece entre o mundo real e onírico, emfim as metáforas, símile, até porque o define ser uma metáfora nesta obra?

  2. Ótimo texto, Chico, como sempre. Não gostei deste filme, achei-o pretensioso, feio e chato. E a Natalie P., embora fabulosa, não engana como bailarina, é pesada (mesmo esquelética) e tem os braços duros. Deviam ter escolhido uma bailarina, pena… Como canastrão irresponsável o Cassel está ótimo. Onde já se viu um diretor de balé clássico mandar a pessoa criar??? Tudo é tão ensaiado… Êta filminho pretensioso, este.

  3. Chico, adorei a forma como vc analisou o filme. Enquanto São Paulo estava embaixo d’água, aproveitei para ver este filme. É o primeio que vejo desse diretor e achei incrível. De verdade, não espera tanto do filme. Não sou um cinéfilo como a maioria aqui, mas gostaria de deixar minha opinião. O teu blog é muito bom!

  4. Eduardo:

    1) os comentários são pré-aprovados pelo único motivo de que muitos spams chegam neste endereço todos os dias e eu não quero que meus leitores precisem ler spams;
    2) infelizmente trabalhei bastante nos últimos dias e não consegui aprovar todos os comentários rapidamente;
    3) os demais comentários são todos aprovados, independentemente de manifestarem opiniões contrárias à minha ou não ou de falarem bobagem ou não;
    4) só deleto comentários que têm palavrões ou ofensas;
    5) como neste seu comentário, você é apenas desagradável, mas não usa termos de baixo calão e ofensas, ele está publicado e você pode lê-lo normalmente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *