O Mundo, de Jia Zhang-ke.

Um filme imenso. Não no tamanho. Na maravilha. A cena que abre o filme é genial e a fotografia se mantém assim por todos os mais de 130 minutos. O diretor filma cada seqüência em takes únicos (pelo menos não lembro de qualquer corte dentro das cenas) e a câmera é precisa, flutuando com absoluta fluidez para não deixar detalhe algum escapar. Impossível uma fotografia mais bonita neste ano. “O mundo”, o parque de diversões que guarda réplicas de monumentos do mundo inteiro, é o simulacro perfeito para que Jia Zhang-ke discorra sobre os temas minúsculos, aqueles que são geralmente gigantescos tanto que só cabem nas cenas abertíssimas do filme do diretor.

O Gosto do Arroz no Chá Verde, de Yazujiro Ozu.

Ozu adorava pintar um cenário, composto por um punhado bom de personagens, cada qual com seus temas e histórias, para depois de um bom tempo delimitar seu foco e apresentar seu protagonista e o assunto sobre o qual quer dissertar. Geralmente uma crítica sutil e ainda assim incisiva ao cotidiano e aos costumes das famílias japonesas. Aqui, a relação submissa de um marido a sua mulher só se revela como um todo depois de meio filme. As subtramas ganham importância e densidade, o que multiplica a possibilidade de conversa com o espectador. Aqui, a sucessão de falsos clímaxes atrapalha um tanto o conjunto, mas a última cena é especial.

A Última Transa do Presidente, de Im Sang-Soo.

Imagine um daqueles filmes que narram fatos histórico-políticos, apresentando as personagens aos poucos, compondo com certa fidelidade a ordem dos acontecimentos e utilizando essa dependência cronológica em favor do thriller. Pois é, aqui o diretor faz exatamente isso, mas a visão coreana para este tipo de filme o deixa muito mais interessante que o usual. O tempo é diferente, o tom guarda um certo humor que se aproxima do bufo – sem nunca defendê-lo -, e as soluções são menos óbvias. Por sinal, o diretor tem paixão por esse ou aquele quadro (ou cena) e o torna especialmente lindo.

Uma Mulher Coreana, de Im Sang-Soo.

O mesmo diretor. Começa como compêndio de historinhas do cotidiano até, situações totalmente estabelecidas, uma cena chocante muda tudo para sempre e faz as coisas acontecerem. O filme ganha um tom amargo e doloroso e amplia bastante sua força. A atriz principal é muito boa.

Comentários

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6 comentários sobre “Festival do Rio 2005: dia 6”

  1. Dos três que eu vi do Ozu no Rio, Ana, foi o que eu gostei menos, embora ainda assim seja um belo, belo filme.

    Por sinal, cheguei em São Paulo, vamos marcar?

    Eu não tenho muita propriedade para falar de Plataforma, que eu vi cansado e sem a devida atenção no meio de uma mostra anos atrás…

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