Não são os filmes que mais gostei de assistir, nem os que considero os melhores de todos. São os que talvez sejam essenciais e os que com certeza construíram minha história enquanto cinéfilo. Apenas aqueles nos quais pensei no momento em que li a frase “sua lista de melhores”. Por isso há filmes que assisti pela primeira vez há dois anos (e para a minha história enquanto cinéfilo isso é bastante tempo, acreditem) e outros que vi há pouco mais de um mês.

Era uma Vez na América (1983), de Sergio Leone.
Porque bastava aquela seqüência onde o garoto hesita entre o doce e a prostituta, que Leone filma como se fosse um duelo de western, para ser uma obra-prima. Mas há mais alguns 220 minutos…

Laranja Mecânica (1971), de Stanley Kubrick.
O filme que me fez passar a gostar de leite – ou que pelo menos me fez sentir vontade de tomar.

Manhattan (1979), de Woody Allen.
O preto-e-branco insuperável de Allen.

O Grande Ditador (1940), de Charles Chaplin.
Complicado escolher um Chaplin. O Garoto é o que mais me emociona, e Tempos Modernos talvez seja o mais representativo. Mas acho que esse sintetiza, com perfeição e simplicidade incríveis, um monte de coisas que um monte de outros filmes tentaram – e ainda hoje tentam – dizer, mas nunca realmente conseguem como Chaplin o fez.

Os Incompreendidos (1959), de François Truffaut.
Correr, correr, correr.

Um Corpo que Cai (1958), de Alfred Hitchcock.
Não é reviravolta, é porque, em filmes de Hitchcock, a gente só acha. E achamos que temos certeza por duas vezes aqui. O motivo por não ser Janela Indiscreta, ou O Homem Que Sabia Demais, ou…

Uma Mulher é uma Mulher (1961), de Jean-Luc Godard.
O cinema em cheque e o feminismo. O feminismo e o cinema em cheque. O feminismo em cheque e o cinema. Não necessariamente em alguma ordem.

Faça a Coisa Certa (1989), de Spike Lee.
As cores, o calor, o vidro quebrando. Filme que desperta paixão e revolta em intensidade máxima.

A Felicidade Não se Compra (1946), de Frank Capra.
Sou uma criança ingênua.

Magnólia (1999), de Paul Thomas Anderson.
Algumas pessoas quebram copos, outras viram mesas, algumas se atiram da janela de algum andar alto. Respeito essas pessoas; mas, no meu caso, basta assistir alguma cena aleatória de Magnólia.

microentrevista

Você tem talento e facilidade para escrever, o que te fez escolher os filmes?

Como não sei bem, acho que uma resposta fácil e óbvia seria dizer que foram eles a me escolher, e não o contrário. Mas a verdade é que não sei bem, mesmo. Acho que foi tudo um processo gradativo: comecei simplesmente assistindo, depois fui prestando mais atenção aos detalhes, lendo a respeito… e quando me dei conta, estava escrevendo. Não por talento para a coisa (facilidade talvez, afinal é só começar com uma letra maiúscula e terminar com um ponto final), mas como que para tentar entender melhor o que aquelas imagens estavam querendo me dizer.

Qual foi seu primeiro filme no cinema?

Segundo minha mãe, Bambi. E ela sempre faz questão de dizer que eu chorei e queria ir embora antes do fim da sessão.

O que mais te atrai quando você olha para um filme?

Provavelmente o desenho que o conjunto de imagens forma na tela.

Um gênio incompreendido?

Ah, muito difícil. Ainda não vi tantos filmes para eleger como gênio alguém que o resto do mundo não compreende, acho.

Um cara superestimado?

Seria mais fácil se eu conseguisse pensar em atores ou roteiristas ou qualquer outra coisa, mas só me vêm à cabeça diretores. E destes com certeza também não vi filmes suficientes para classificar dessa maneira, mas vá lá: por O Sétimo Selo, Ingmar Bergman e por Os Contos de Canterbury, Pasolini.

Guga Valente, Guga é apelido porque o nome é feio, 15 anos. CRIANÇA, primeiro ano do Ensino Médio na escola (ainda). Nasceu e mora no Rio. Não sabe o que fazer na faculdade, mas está em dúvida entre Jornalismo, Publicidade, Relações Internacionais ou Direito. Cara decidido.

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