Jeferson De, Caio Blat, Silvio Guindane, Jonathan Haagensen
Bróder EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Bróder, Jeferson De, 2010]

Bróder é um filme de altos e baixos, mas quando acerta ele é brilhante. O diretor Jeferson De conta uma história de amizade na favela sem trejeitos e maneirismos. Acerta em cheio em praticamente todas as cenas em que os amigos estão juntos. Tanto nos diálogos quanto no desenvolvimento. O cineasta, que estreia na direção, faz um trabalho excelente com o elenco. Caio Blat prova que pode ser uma grande ator quando tem um papel bem escrito e é bem dirigido. Silvio Guindane e, para minha surpresa, Jonathan Haagensen também estão ótimos. Jeferson De constrói o cenário da vida na favela da maneira mais trivial possível, deixando a criminalidade em segundo plano. A trama policial, por sinal, é totalmente desinteressante, o ponto fraco do longa, mas ela não tira os méritos de um filme simples e direto sobre amigos que se reencontram e escolhas decididas há muito tempo. E viva Cássia Kiss, que se livra do fantasma de suas últimas aparições caricatas e devora suas cenas.

Hilda Hidalgo
Do Amor e de Outros Demônios EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Del Amor y de Otros Demonios, Hilda Hidalgo, 2010]

A quantidade de estrelinhas talvez seja exagerada, mas a verdade é que a estreia de Hilda Hidalgo é bem mais do que se poderia esperar. A diretora adapta Gabriel García Marquez, autor visitado sem muito sucesso por Ruy Guerra, Arturo Ripstein e Mike Newell (esse com resultados desastrosos). E Hilda, uma estreante na função e que vem de um país sem tradição no cinema, acerta em praticamente tudo. O filme assume a novela tradicional como modelo de linguagem, mas com um frescor bastante bem-vindo. A cineasta é bastante sensível tanto na composição da história de amor quanto na escolha das imagens que buscam plasticidade – e a encontram -, mas sem afetação. Delicado e simples, Do Amor e de Outros Demônios é uma adaptação classuda, que ainda encontra espaço suficiente para os comentários políticos de García Marquez.

Fabiano de Souza
A Última Estrada da Praia EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[A Última Estrada da Praia, Fabiano de Souza, 2010]

Curioso exemplar da cinematografia gaúcha. Começa como uma espécie de road movie entre amigos construído a partir de uma sucessão de pequenas epifanias. Os personagens vão ganhando complexidade ao longo do filme, que em seus dois terços iniciais empresta humor a todas as cenas. O diretor Fabiano de Souza cumpre as regras e comanda uma reviravolta. Mudança arriscada e completa: a comédia e a leveza dão lugar a um drama existencialista em que conceitos como identidade e sentido aparecem na discussão. Apesar da virada ter substância, o filme não recupera o fôlego de antes.

Hammada
Hammada EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Hammada, Anna Maria Bofarull, 2010]

O mais curioso desse documentário é registrar o cotidiano dos moradores do Saara Ocidental, uma região dominada pela Espanha no norte da África que ninguém lembra que existe. A diretora Anna Maria Bofarull dispensa narrações e usa o dia-a-dia dos personagens, em ações muitas vezes encenadas para a filmagem, como fio condutor. O filme é bem acabado e cumpre seu papel, mas não vai além disso.

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9 comentários sobre “Mostra SP 2010: post 4”

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  2. Prefiro cenas entre amigos do Amigos de Risco. Viu esse?

    Pra quem veio da periferia, como eu, este Bróder, sei lá, um mundo que eu tenho repulsa, tá ligado, meu?

    Eu pegaria o Jeferson De pra jogar num seriado de televisão.

  3. Prefiro cenas entre amigos do Amigos de Risco. Viu esse?

    Pra quem veio da periferia, como eu, este Bróder, sei lá, um mundo que eu tenho repulsa, tá ligado, meu?

    Eu pegaria o Jeferson De pra jogar num seriado de televisão.

  4. Pois é, Cássia Kiss tá boa em Bróder, isto me surpreendeu. Mas qual o problema de personagens caricatos? Adoro personagens caricatos, só que os que ela vinha fazendo – tô com A Festa da Menina Morta na cabeça – não conseguiam nem chegar ao meu esôfago.

    Juro que tentei gostar de Bróder. Não consegui. Nem entreguei a votação no final do filme pra não prejudicar o mocinho.

  5. Chico,
    Não gostei de Do Amor e Outros Demônios, que já tinha visto no Cine Ceará. Acho que tem pouca força na construção cênica e há planos ali claramente feitos para agradar festival.

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