Koji Wakamatsu
Caterpillar EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Kyatapirâ, Koji Wakamatsu, 2010]

Todo filme de Koji Wakamatsu é um evento político. Caterpillar não é diferente: parte de uma premissa particular – a volta de um soldado japonês para casa – para se transformar num manifesto antiguerra. O cineasta, como de praxe, apela para a imagem extrema para começar a lançar seus comentários: o protagonista retorna para casa sem os braços e as pernas e com o rosto deformado. O horror da esposa diante da situação se transforma em conformismo. Mas Wakamatsu já deixa claro na sequência de créditos sua perplexidade diante das contradições do conflito: a imagem que abre o filme mostra o protagonista, aquele que seria a “vítima” da história, estuprando uma chinesa. À medida em que desenvolve a trama, que assume contornos caóticos no clímax do filme, o diretor lança na tela dados sobre as mortes durante a Segunda Guerra. Caterpillar, da maneira mais improvável possível, é um manifesto apaixonado pela vida.

Davey Frankel, Rasselas Lakew
O Atleta EstrelinhaEstrelinha
[Atletu, Davey Frankel e Rasselas Lakew, 2010]

Para um país com tradição zero na produção de filmes, O Atleta é um mérito e tanto, mesmo sendo uma coprodução. Um filme bem produzido, bem acabado, correto do começo ao fim. Dá inclusive para fazer um paralelo entre o filme e a história de seu homenageado, o corredor Abebe Bikila, primeiro medalhista africano da História, um dos maiores herois de seu país. Mas, no fim das contas, o longa não foge ao protocolo dos filmes talhados para concorrer ao Oscar: história edificante de superação, baseada em fatos reais, visual polido. Tudo em O Atleta está em seu lugar. Nada empolga muito.

Angelos Frantzis
Na Floresta EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Mesa Sto Dasos, Angelos Frantzis, 2010]

Na Floresta é mais interessante do que sugere. O filme do grego Angelos Frantzis acompanha três jovens, isolados no meio do mato, numa espécie de aventura existencialista em que o diretor decide abolir quase que completamente os diálogos, distorce as imagens e ainda abafa o som ambiente em boa parte das cenas. Muitas vezes, o que se vê na tela são borrões que insinuam os movimentos dos personagens. Esta experimentação funciona para o espectador que consegue se liberta da narrativa tradicional. É exatamente por isso que o filme cai quando assume uma historinha. e é nessa segunda fase que o diretor apela para imagens mais apelativas: uma punheta em close e um boquete subaquático.

Gilles Marchand
O Outro Mundo EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[L’Autre Monde, Gilles Marchand, 2010]

O Outro Mundo é diversão ligeira e inteligente. O filme de Gilles Marchand consegue uma fusão bem interessante entre um cinema live action de suspense e a realidade virtual dos games, coisa que Vc Tá Aí? não sabe fazer. O fato de ser um filme francês garante um charme blasé, com velocidade e tom diferenciados. Grégoire Leprince-Ringuet, longe de Christophe Honoré, está bem seguro como o protagonista obcecado por uma mulher misteriosa.

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5 comentários sobre “Mostra SP 2010: post 6”

  1. opa.amigo estou procurando o nome de um filme da decada de 70,80.o nome nao sei.mas é de aventura na qual tem seres mitologico.tem um ser tipo um macaco com uma clava.é um filme bem grotesco mas tem muita aventura.só lembro disso.saberia me dizer o nome?sei que nao ajudei muito mas,,,,pé so isso que lembro.obgd

  2. Também fiquei curioso sobre o filme, mas tenho reparado que essa coisa ter cenas de sexo explícito está virando ou já virou uma tendência em filmes de festival.
    É uma coisa complicada.
    Bernardo Bertolucci já mostrou tantas vezes em seus filmes gente que busca preencher algum tipo de vazio existencial através do sexo… parece que alguns filmes tentam fazer o mesmo!

  3. Po, eu até tava com ingresso pra ver “Na Floresta” no festival do Rio, mas como tava morto de cansado e com mil coisas pra arrumar uns 2 dias antes da viagem acabei desistindo.

    Seu texto me fez ficar com mó vontade de ver agora 🙁

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