Mostra SP 2014: post três

Detetive D: O Dragão do Mar

Detetive D: O Dragão do Mar EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Di Renjie: Shen du Long Wang, Tsui Hark, 2013]

Prequel de Detetive D e o Império Celestial, este filme do ás do cinema de ação oriental Tsui Hark mostra um diretor interessadíssimo em mergulhar na tecnologia. Rodado em 3D, mais da metade das cenas do longa tem efeitos especiais em larga escala, sem medo da comparação com as superproduções hollywoodianas. Hark volta no tempo para acompanhar a primeira missão do Detetive D, que precisa desvendar uma conspiração para tomar o poder dentro da família imperial e ainda descobre um monstro marinho. Saem Andy Lau e Tony Leung Ka-Fai e entram Mark Chao e Angelababy. O diretor mistura elementos históricos com fantasia sem qualquer pudor e o resultado é um filme cheio de cenas de ação memoráveis. Embora o 3D não seja de primeira grandeza, o longa garante a diversão.

O Segredo das Águas

O Segredo das Águas EstrelinhaEstrelinha½
[Futatsume no Mado, Naomi Kawase, 2014]

Embora ainda não tenha conseguido reeditar seus melhores momentos (Shara ou Suzaku), O Segredo das Águas tira Naomi Kawase de uma fórmula mezzo documental, mezzo ficcional que vinha se repetindo em seus últimos filmes e que parecia uma prisão formal. O longa, no entanto, guarda muitas das ideias e dos temas que a diretora vem desenhando ao longo dos anos em sua obra, sobretudo a relação entre homem e natureza e a chegada da morte como elemento transformador. Aqui, dois adolescentes são assombrados por medos. Ele pelo medo do mar. Ela pelo medo da morte. Juntos, eles descobrem como lidar com suas pauras e como explorar seus corpos. Existe algo meio didático em alguns diálogos nesse processo e o interesse de Kawase pelo espiritual quase faz o filme dialogar com a auto-ajuda, o que não acontece, mas as cenas subaquáticas mostram que Kawase tenta se esquivar do lugar comum.

Tristeza e Alegria

Tristeza e Alegria EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
[Sorg og Glæde, Nils Malmros, 2013]

A cena de abertura do filme de Nils Malmros é uma das mais impactantes dos últimos tempos. Um homem volta para casa e recebe a notícia devastadora de que a esposa matou a filhinha do casal. O diretor, um dos mais importantes nomes do cinema dinamarquês nas últimas décadas, embora tenha feito só três filmes em dez anos, faz um poderoso melodrama sobre a dor da perda. Embora honre a tradição de excelência da dramaturgia escandinava,  o filme é muito mais forte quando se concentra no que acontece no tempo presente, trabalhando basicamente com personagens destruídos. Os flashbacks, que Malmros julga necessários para explicar a relação entre Johannes e Signe e o estado de saúde mental dela, fragilizam a narrativa, justificando excessivamente os atos dela. O desespero e a desesperança da sequência de abertura humanizam muito mais os caminhos do protagonista.

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