O SHOW NÃO PODE PARAR

Dos méritos, o maior. O Show Não Pode Parar é todo narrado em primeira pessoa. Tudo que está na tela é a opinião de Robert Evans, personagem principal do filme, um homem que não esconde seus ressentimentos, seu ar superior e sua visão, muitas vezes sarcástica e preconceituosa de tudo o que aconteceu na sua vida. O Show Não Pode Parar é, então, um filme honesto, o que, para um documentário, é bem mais do que se possa esperar. De ator medíocre a chefe de um dos principais estúdios do mundo do cinema, a Paramount, a vida de Robert Evans foi bem mais interessante do que a dos homens comuns que cruzaram seu caminho. Vida onde gente como Ali McGraw, Dustin Hoffman, Jack Nicholson e Francis Ford Coppola foram coadjuvantes de luxo.

Evans, o produtor de O Bebê de Rosemary (68), Love Story (70), dos dois primeiros capítulos de O Poderoso Chefão (72 e 74) e de Chinatown (74), escreveu seu nome na história para depois ser sugado por ela através de intrigas, drogas e histórias bem ou mal contadas; cenário comum num universo egocêntrico como o do cinema. Seria de se esperar um filme para celebrar o personagem e lamentar seus infortúnios. Isso existe, mas não predomina no longa. O tom confessional não pende para o onanismo. E para contar essa história, os diretores usaram recursos visuais extremamente bem acabados e uma fartíssima quantidade de arquivos raros. Delícia para qualquer um que goste de cinema.

O Show Não Pode Parar
The Kid Stays In The Picture, EUA, 2002
Direção: Nanette Burstein e Brett Morgen.
Elenco: Robert Evans, Francis Ford Coppola, Mia Farrow, Ernest Hemingway, Dustin Hoffman, Henry Kissinger, Ali MacGraw, Laurence Olivier, Roman Polanski.
Roteiro: Brett Morgen, baseado no livro de Robert Evans. Produção: Brett Morgen, Nanette Burstein e Graydon Carter. Música: Jeff Danna. Fotografia: John Bailey. Edição: Jun Diaz. Direção de Arte: Mark Harper.

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