Jude Law, Martin Scorsese, Asa Butterfield

A vitória de A Invenção de Hugo Cabret, de Martin Scorsese, nas categorias de melhor filme e direção, segundo o National Board of Review, reflete a excelente recepção que o longa teve junto aos críticos e põe a obra e o cineasta definitivamente na lista do Oscar. É muito cedo para se falar em vitória, mas a indicação, num ano em que o consenso geral diz que foi fraco, parece certeira.

O Top 10 do National Board of Review, sempre em ordem alfabética, ainda tem O Artista, Os Descendentes e Cavalo de Guerra, três apostas fortes a melhor filme, Tudo pelo Poder e A Árvore da Vida, que andam cotados, mas com moderação, J. Edgar, já que Clint Eastwood é um habituée dessa lista, além de três escolhas mais ousadas: Millenium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres, Drive e Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2.

O último, o réquiem da franquia, todo mundo já esperava que aparecesse aqui e ali. Chegou a se falar em indicação ao Oscar, mas isso parece distante. O filme de David Fincher parece mais figurar para chamar atenção, mas também tinha seus defensores. A escolha que realmente impressiona é a de Drive, já que o filme não era aposta de quase ninguém na categoria principal e entrou numa lista onde Histórias Cruzadas, Meia-Noite em Paris e O Homem que Mudou o Jogo, em especial depois dos prêmios de ator e roteiro dos críticos de Nova York, pareciam barbadas.

Não que a lista do NBOR signifique muito. Todo ano, pelo menos um ou dois finalistas ao Oscar não aparecem nesse Top 10. E é importante lembrar que ninguém viu ainda o filme de Stephen Daldry, Tão Forte e Tão Perto, que é um cara que fez três longas antes desse e concorreu ao Oscar de direção três vezes.

Mesmo no meio da bagunça, não dá pra negar que Hugo começou bem. O filme ainda foi o terceiro melhor do ano segundo o New York Film Critics Circle, que deixou Scorsese na segunda posição entre os diretores. É bem verdade que os críticos podem seguir uma posição radicalmente oposta à Academia, mas Hugo parece um filme universal, embora sua bilheteria ainda seja modesta, assim como seu lançamento.

O NYFCC preferiu O Artista na categoria principal, outro contender que começou bem a carreira, e também premiou seu diretor. O segundo colocado foi Melancolia, de Lars Von Trier, que, por enquanto, parece bem longe de qualquer indicação, mesmo que tenha aparecido na lista de filme estrangeiro dos Spirits Awards, o Oscar do indie (critérios bem diferentes de todos os demais prêmio que só consideram filmes não falados em inglês).

E foi nos Spirits também que O Artista apareceu. Ele concorre na categoria principal, em direção, ator, roteiro e fotografia. Dos candidatos em potencial ao Oscar, Os Descendentes foi o único que apareceu entre os melhores filmes dos Spirits. Teve indicações pra direção, roteiro e atriz coadjuvante, mas flopou entre os protagonistas. O que é curioso porque George Clooney foi o melhor ator do ano segundo o NBOR. E Drive, além da menção do NBOR, foi indicado aos Spirits de filme, direção, ator e ator coadjuvante.

Resumo da ópera: Hugo e O Artista saem na frente na corrida por uma vaga na categoria de melhor filme, com Os Descendentes logo em seguida. O Homem que Mudou o Jogo, Cavalo de Guerra e A Árvore da Vida continuam sendo boas apostas. Tudo pelo Poder cresce na disputa e Histórias Cruzadas e Meia-Noite em Paris ficam mais tímidos. Já Drive começa a parecer uma opção indie. Mas a Academia teria que ser muito legal para que ele fosse indicado…

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