Oscar 2014: os filmes estrangeiros

O site The Wrap aponta o brasileiro O Som ao Redor como um dos favoritos para conseguir uma vaga entre os cinco indicados ao Oscar de filme estrangeiro. O longa de Kleber Mendonça Filho vai enfrentar outros 75 pré-candidatos ao prêmio, segundo a lista revelada hoje pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos. Um recorde. São 5 filmes a mais do que os inscritos no ano passado. Junto o indicado do Brasil, filmes como O Passado, representante do Irã dirigido pelo vencedor do Oscar Ashgar Farhadi; A Caça, do dinamarquês Thomas Vintenberg; e o polonês Walesa, do veterano Andrzej Wajda, figuram entre os mais cotados do The Wrap.

A categoria de filme em língua estrangeira é uma das mais complicadas – e questionáveis – do Oscar. Primeiro por surgir de indicações “oficiais” dos países, o que, além das implicações políticas no processo, limita o número de filmes a um por país. Como não é preciso estrear nos Estados Unidos para estar apto para a pré-indicação, cinematografias menos tradicionais conseguem colocar seus representantes na corrida, mas a visibilidade deles é tão pequena que raramente eles seguem até a lista final de indicados. Os 76 longas selecionados para a disputa são avaliados por um comitê de voluntários entre os integrantes da Academia. Um número ínfimo no meio do corpo geral de votantes. Eles precisarão provar que assistiram aos filmes no Samuel Goldwyn Theater ao longo dos próximos três meses. De suas notas para os filmes, sairão seis pré-finalistas. Um comitê executivo da Academia, seja lá o que isso signifique, escolhe outros três.

A relação com 9 pré-selecionados deve ser anunciada em dezembro, algumas semanas antes do anúncio dos indicados. Os finalistas serão conhecidos em janeiro. Na peneira deste ano, dois já caíram: Burning Bush, da veterana Agnieszka Holland, indicado pela República Tcheca, foi desclassificado porque havia estreado na HBO antes de ir para os cinemas e há relatos de que a Coreia do Norte tentou enviar um representante para o Oscar, mas com o filme, não identificado, não teria sido escolhido por um comitê, como mandam as regras, nem chegou a ser considerado. Agora é torcer para que os velhinhos da Academia sigam as críticas e votem no filme de Kleber Mendonça, que merece toda a atenção.

Oscar 2014: filme estrangeiro

Afeganistão: Wajma (An Afghan Love Story) EstrelinhaEstrelinha½ [ژمه, Barmak Akram]
África do Sul: Four Corners [Four Corners, Ian Gabriel]
Albânia: Agon [Agon, Robert Budina]
Alemanha: Two Lives [Zwei Leben, Georg Maas]
Arábia Saudita: O Sonho de Wajda [وجدة, Haifaa al-Mansour]
Argentina: Wakolda EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha [Wakolda, Lucía Puenzo]
Austrália: O Foguete EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha [The Rocket, Kim Mordaunt]
Áustria: The Wall [Die Wand, Julian Pölsler]
Azerbaidjão: Steppe Man [Steppe Man, Shamil Aliyev]
Bangladesh: Television [টেলিভিশন, Mostofa Sarwar Farooki]
Bélgica: Alabama Monroe EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha [The Broken Circle Breakdown, Felix van Groeningen]
Bósnia & Herzegovia: Um Episódio na Vida de um Catador de Lixo EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha [Epizoda u životu berača željeza, Danis Tanović]

Brasil: O Som ao Redor EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha [O Som ao Redor, Kleber Mendonça Filho]
Bulgária: The Colour of the Chameleon, [Цветът на Хамелеона, Emil Hristov]
Camboja: A Imagem que Falta EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha [L’Image Manquante, Rithy Panh]
Canadá: Gabrielle [Gabrielle, Louise Archambault]
Cazaquistão: The Old Man [Шал, Ermek Tursunov]
Chade: GriGris [GriGris, Mahamat-Saleh Haroun]
Chile: Gloria EstrelinhaEstrelinha½ [Gloria, Sebastián Lelio]
China: Back to 1942 [Yi Jiu Si Er, Feng Xiaogang]
Cingapura: Ilo Ilo EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha [爸妈不在家, Anthony Chen]
Colômbia: La Playa DC [La Playa DC, Juan Andrés Arango]
Coreia do Sul: Juvenile Offender [범죄소년, Kang Yi-kwan]
Croácia: Halima’s Path [Halimin Put, Arsen Anton Ostojić]

Dinamarca: A Caça EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½[Jagten, Thomas Vintenberg]
Egito: Winter of Discontent [الشتا إللى فات, Ibrahim El-Batout]
Equador: Porcelain Horse Estrelinha [Mejor No Hablar (de Ciertas Cosas), Javier Andrade]
Eslováquia: My Dog Killer [Môj pes Killer, Mira Fornay]
Eslovênia: Class Enemy [Razredni sovražnik, Rok Biček]
Espanha: 15 Years and One Day [15 años y un día, Gracia Querejeta]
Estônia: Free Range [Free Range: Ballaad maailma heakskiitmisest, Veiko Õunpuu]
Filipinas: Transit [Transit, Hannah Espia]
Finlândia: Disciple [Lärjungen, Ulrika Bengts]

França: Renoir [Renoir, Gilles Bourdos]
Geórgia: In Bloom [გრძელი ნათელი დღეები, Nana Ekvtimishvili, Simon Groß]
Grã-Bretanha: Metro Manila [Metro Manila, Sean Ellis]
Grécia: Boy Eating the Bird’s Food Estrelinha½ [Το Αγόρι Τρώει το Φαγητό του Πουλιού, Ektoras Lygizos]
Holanda: Borgman [Borgman, Alex van Warmerdam]
Hong Kong: O Grande Mestre EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha [一代宗師, Wong Kar-Wai]
Hungria: The Notebook [A Nagy Füzet, János Szász]
Índia: The Good Road [The Good Road, Gyan Correa]
Indonésia: Sang Kiai [Sang Kiai,Rako Prijanto]
Irã: O Passado EstrelinhaEstrelinha [گذشته, Ashghar Farhadi]
Islândia: Of Horses and Men [Hross í oss, Benedikt Erlingsson]

Israel: Belém: Zona de Conflito EstrelinhaEstrelinha½ [בית לחם,Yuval Adler]
Itália: A Grande Beleza EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha [La Grande Bellezza, Paolo Sorrentino]
Japão: The Great Passage [舟を編む, Yuya Ishii]
Letônia: Mother I Love You [Mammu, es Tevi Mīlu, Jānis Nords]
Líbano: Ghadi [غدي, Amin Dora]
Lituânia: Conversations on Serious Topics [Pokalbiai Rimtomis Temomis, Giedrė Beinoriūtė]
Luxemburgo: Blind Spot [Doudege Wénkel, Christophe Wagner]
Marrocos: God’s Horses [يا خيل الله, Nabil Ayouch]
México: Heli EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha [Heli, Amat Escalante]
Moldávia: All God’s Children [All God’s Children, Adrian Popovici]
Montenegro: Bad Destiny [As Pik – Loša Sudbina, Draško Đurović]

Nepal: Soongava: Dance of the Orchids [सुनगाभा, Subarna Thapa]
Noruega: I Am Yours [Jeg er din, Iram Haq]
Nova Zelândia: White Lies [Tuakiri Huna, Dana Rotberg]
Palestina: Omar EstrelinhaEstrelinha½ [عمر, Hany Abu-Assad]
Paquistão: Zinda Bhaag [زندہ بھاگ, Meenu Gaur, Farjad Nabi]
Peru: The Cleaner [El Limpador, Adrián Saba]
Polônia: Walesa EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha [Wałęsa. Człowiek z nadziei, Andrzej Wajda]
Portugal: Linhas de Wellington [Linhas de Wellington, Valeria Sarmiento]
República Dominicana: Who’s the Boss? [¿Quién Manda?, Ronni Castillo]
República Tcheca: The Don Juans [The Don Juans, Jiri Menzel]

Romênia: Instinto Materno EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½ [Poziţia Copilului, Călin Peter Netzer]
Rússia: Stalingrad [Сталинград, Fedor Bondarchuk]
Sérvia: Circles EstrelinhaEstrelinha [Кругови, Srdan Golubovic]
Suécia: Eat Sleep Die [Äta Sova Dö, Gabriela Pichler]
Suíça: Mais que Mel [More than Honey, Markus Imhoof]
Tailândia: Countdown Estrelinha [เคาท์ดาวน์, Nattawut Poonpiriya]
Taiwan: Soul [失魂, Chung Mong-Hong]
Turquia: The Butterfly’s Dream [Kelebeğin Rüyası, Yılmaz Erdoğan]
Ucrânia: Paradjanov EstrelinhaEstrelinha [Параджанов, Serge Avedikian, Olena Fetisova]
Uruguay: Anina [Anina, Alfredo Soderguit]
Venezuela: Breach in the Silence [Brecha en el Silencio, Luis Rodríguez, Andrés Rodríguez]

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Minhas apostas para o Oscar 2014 (em setembro, 2013)

Comentários

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19 comentários sobre “Oscar 2014: os filmes estrangeiros”

  1. Bom, eu acho que ”O Som Ao Redor” tem grandes chances, e tenho motivos, ele foi eleito um dos 10 (9° lugar) melhores de 2012 pela ”New York Times”, eleito um dos 10 (9° lugar) melhores de 2013 pela ”Variety”, ganhou o premio agora de melhor primeiro longa metragem em Toronto (Canada), esta pela “Variety” entre os 10 finalistas ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2014, e pelos filmes que estão listados não me impressionaria se ele estivesse entre os 5 sortudos no dia 16 de Janeiro. Eu assisti todos os filmes bem cotados com exceção de ”Gloria” do Chile, e tenho minha crítica pessoal, acho que Farhadi se tornou muito típico em trazer o mesmo tema para o cinema, ambos ”O Passado” e ”A Separação” (de 2011) tratam de DIVORCIO, e o filme é tão exaustivo quanto ”O Som Ao Redor” se formos avaliar estes filmes como um simples filme ”pipoca” como muitos avaliam, já para o dinamarquês ”A Caça” não tenho nada a dizer, nota 10!

  2. Pelo amor de Deus, “O Som Ao Redor” pode até ser superestimado, mas dizer que o filme é ruim, aí é burrice. O filme é o único que retrata o novo Brasil, que analisa a classe média com acidez e faz questão de mostrar os pontos de relação com o passado histórico. Só por isso merece respeito.

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