Pompeia

Pompeia não tem estirpe alguma, mas funciona que é uma beleza. O filme que inaugura uma nova onda de épicos bíblicos no cinema de Hollywood tem um diretor genérico e astros que fazem sucesso, mas na TV. No entanto, embora se desenhasse como tragédia anunciada, o filme catástrofe de época assinado por Paul W.S. Anderson explode na forma de um guilty pleasure com todos – ou quase todos – os elementos no lugar.

Anderson reconta a tragédia da cidade de Pompeia, devastada pelo vulcão Vesúvio na Antiguidade, na melhor linha das reinvenções hollywoodianas para filmes ou séries de sucesso. Resgata a ideia, o conceito, e, se aproveitando da falta de certezas históricas, cria personagens, histórias, romances, heróis e vilões a seu bel prazer. O pior é que tudo isso dá certo se o espectador topar a proposta do diretor e se divertir no piloto automático.

Escorado em efeitos visuais melhores do que a média, inclusive com a preocupação rara em detalhes que credibilizam a catástrofe, o que raramente se vê em blockbusters do tipo, o filme é claramente feito para o espectador do cinema de ação. Todas as cenas, no terço final do filme, acontecem em cenários onde fumaça e fuligem são onipresentes, embora quase nunca um personagem se incomode de verdade com ela.

Mas realismo está fora dos planos de Anderson. O casal de protagonistas insosso (esperávamos mais de você, Jon Snow!) ganha força no contexto da catástrofe, inclusive com um desfecho coerente com o que se tem registrado da explosão do Vesúvio, embora o que se viu até ali seja puro delírio. O cineasta não nos poupa de liberdades históricas, simplificações e caricaturas. Tudo em função da construção de uma peça de entretenimento.

Kiefer Sutherland mergulha de cabeça na proposta e oferece um vilão à moda antiga, gente ruim mesmo. Está ótimo no papel. Curiosamente, Sutherland, o galã Kit Harington e até o principal coadjuvante, Adewale Akinnuoye-Agbaje, são atores cujas carreiras se solidificaram em séries de sucesso. 24 Horas, Game of Thrones e Lost, respectivamente, três exemplos de como a televisão reinventou o entretenimento audiovisual de qualidade.

Não que Pompeia possa ser comparado a estas séries, mas, enquanto diversão rasteira, Anderson entregou um trabalho bem coerente.

Pompeia EstrelinhaEstrelinha½
[Pompeii, Paul W.S. Anderson, 2014]

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2 comentários sobre “Pompeia”

  1. “O filme que inaugura uma nova onda de épicos bíblicos no cinema de Hollywood…”
    Épicos bíblicos são filmes inspirados em histórias contidas na Bíblia e este não é o caso de Pompéia, então o filme não inaugura nenhuma nova onda, essa tarefa caberá a Noé ou Exodus, não sei qual deles irá estrear primeiro.
    Pompéia está entre os filmes baseados em fatos históricos e o cinema catástrofe.
    Pretendo assisti-lo só pelas cenas de destruição, pois considero o diretor um dos mais fracos em atividade, sempre prenuncio de filme meia boca ou ruins.

  2. Quando vi o trailer não me atraiu. Me lembrou a sério “Xena – A princesa guerreira”. Mas como ele esta em 3D nos cinemas. Quem sabe pode funcionar?

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