Eles não têm grandes roteiros, a direção não é exatamente autoral e, em sua maioria, são protagonizados ou por astros decadentes ou por atores em começo de carreira. Mas entre os muitos filmes assumidamente ruins que chegam todos os anos aos cinemas, alguns não apenas se salvam lindamente como proporcionam uma diversão inesperada. São os guilty pleasures. Estes são meus cinco favoritos de 2012:

Os Mercenários 2

1 Os Mercenários 2
The Expendables 2
Simon West, 2012

O segundo capítulo da franquia de ação retrô iniciada dois anos atrás por Sylvester Stallone vai além em todos os sentidos. A entrada de Simon West na direção deixa o filme muito melhor acabado, mais bem dirigido mesmo. Se Os Mercenários basicamente era um filme de ação oitentista feito 25 anos depois, este novo longa parte de um roteiro que tem plena consciência de que é datado e usa essa consciência como proposta. Ao mesmo tempo em que impõe um clima nostálgico e que se autoelogia como clássico, nunca perde a oportunidade de tirar sarro de si mesmo com algumas sacadas de texto geniais. O novo filme repara o pecado do original e coloca Arnold Schwarzenegger e Bruce Willis no meio da ação. Jean-Claude Van Damme, como um vilão que se chama Vilão – também ganha espaço para executar suas acrobacias com destreza e não há palavras para descrever o tratamento de deus que o filme dá para Chuck Norris. Coisa de macho, macho das antigas.

John Carter

2 John Carter
John Carter
Andrew Stanton, 2012

Como criar um blockbuster de ficção-científica a partir de um livro escrito 100 anos atrás? Andrew Stanton, diretor de Wall-E, em sua estreia em filmes live action, soube equilibrar o respeito à ousadia hoje ingênua dos livros de Edward Rice Burroughs com um acabamento não apenas visual, mas narrativo mesmo. O longa é super elaborado em seus conceitos de ciência, mas guarda diálogos de romance que parecem propositadamente datados. John Carter costura durante suas duas horas esta homenagem a Burroughs à necessidade de fazer um filme palatável para a geração atual.

Branca de Neve e o Caçador

3 Branca de Neve e o Caçador
Snow White and the Huntsman
Rupert Sanders, 2012

De longe, ste é o melhor dos filmes que se prestam a dar credibilidade a contos de fadas. O “realismo” da trama acerta na mistura com a fantasia e, embora Kristen Stewart fique na mesmice de sempre, Charlize Theron – esqueça dela em Prometheus – faz uma das melhores e mais complexas vilãs do ano. Sua personagem é tratada com carinho. Sua história, detalhada sem firulas e os efeitos visuais que a cercam são de encher os olhos.

Battleship

4 Battleship – A Batalha dos Mares
Battleship
Peter Berg, 2012

Antes mesmo de ser lançado, este filme já aparecia nas listas de piores do ano, do cinema, da história. Tudo bobagem. A estreia da popstar Rihanna no cinema – papel pequeno e que importa muito pouco – é um filme divertido, escapista e precisa ser visto como o que realmente é: diversão descerebrada. A cena da “batalha naval” é maravilhosa. Delírio puro.

A Hora da Escuridão

5 A Hora da Escuridão
The Darkest Hour
Chris Gorak, 2012

Filmes de terror/ficção-científica B, o cinema produz todos anos aos montes, mas este que reúne jovens de férias, alienígenas luminosos e uma excursão meio torta por Moscou é divertido pra caramba. A fórmula é simples e batida, mas o filme funciona muito bem pra quem quiser brincar de perseguição.

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