Por um punhado de libras

Este aí da foto é Alex Etel, um dos melhores atores do ano. Alex ainda não tem muita técnica, mas sobra nele o que falta em muita gente: carisma. Não é à tôa que é culpa dele que esta fábula contemporânea sobre enriquecimento rápido e ilícito seja um belo filme apesar dos exageros piroctécnicos de seu diretor. Danny Boyle começa a contar sua história com certo louvor à fantasia e à imaginação, ao universo infantil, que ainda eram novidade em sua filmografia, mas em algum ponto não sabe mais como conter o monstrinho que criou e parte para a abstração, que culmina naquela cena final absurda, que lembra a do famigerado Código 46 (alguém sabe o nome daquela musiquinha do final?).

Poderia ter caído no ridículo, mas o filme ganhou um defensor e tanto: o próprio pequeno protagonista. É ele quem se encarrega de fazer a gente acreditar no balaio de boas intenções aprontado pelo roteirista. Esqueça as libras, os euros, eis um homem em formação de caráter, tentando defender o que ele acha certo, tentando entender porque todo mundo quer o que sabe que é errado; criando suas próprias convicções a partir da única coisa que domina: sua imaginação. Quando Damian crescer, e se ele virasse cineasta, com certeza faria filmes como Em Boa Companhia.

CAIU DO CÉU
Millions, Grã-Bretanha/Estados Unidos, 2004.
Direção: Danny Boyle.
Roteiro: Frank Cottrell Boyce.
Elenco: Alexander Nathan Etel, Lewis Owen McGibbon, James Nesbitt, Daisy Donovan, Jane Hogarth, Alun Armstrong, Enzo Cilenti, Nasser Memarzia, Kathryn Pogson, Harry Kirkham, Cornelius Macarthy, Kolade Agboke, Pearce Quigley, Christopher Fulford.
Fotografia: Anthony Dod Mantle. Montagem: Chris Gill. Direção de Arte: Mark Tildesley. Música: John Murphy. Figurinos: Susannah Buxton. Produção: Graham Broadbent, Andrew Hauptman e Damian Jones. Site Oficial: Caiu do Céu. Duração: 97 min.

nas picapes: Would?, Alice In Chains.

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