SIMPLESMENTE AMOR

God only knows what I’d be without you

Simplesmente Amor é um filme maniqueísta. Manipula o espectador o tempo inteiro com sua fórmula água com açúcar, que cobre boa parte do enorme universo de possibilidades de (des)encontros amorosos. O Short Cuts em forma de comédia romântica de Richard Curtis é tecido e conduzido com tanta disponibilidade para o encantamento que seu público-alvo imediato, mulheres e adolescentes, é bastante dilatado. Tudo por causa da armadilha de reconhecimento fácil que Curtis deixa bem na nossa frente. As cenas que abrem e fecham o filme, com pessoas reais, são a prova mais óbvia da artimanha do cineasta.

Toda a articulação do roteiro, no entanto, sua obviedade e condensação de clichês não significa nada. Absolutamente nada. Porque Richard Curtis, talvez sem saber, fez uma deliciosa ode ao mais puro dos sentimentos. A linguagem simples do filme é feita para se comunicar com o espectador numa mesa de bar (ou no balcão de um pub londrino) e é justamente isso que faz o filme ser tão fascinante. O amor que surge num segundo e mais demorado olhar, o amor que fica mudo mas nunca sai do lado, o amor que surge entre os personagens mais improváveis.

Simplesmente Amor é surpreendente porque seus chavões nunca deixam de funcionar. O elenco ajuda. Todos defendem seus papéis com dedicação. A delicadeza dos diálogos entre Martin Freeman e Joanna Page, enquanto fazem uma as cenas de um filme pornô são aqueles que você tem quando tenta se aproximar de alguém. É impossível não se identificar com pelo menos uma das histórias, com as dúvidas de Laura Linney, sempre ótima, ou de Hugh Grant, que volta a provar que é um bom ator, a busca adolescente de Kris Marshall por sexo, o silêncio dos cartazes de Chiwetel Ejiofor para dizer o que ele precisa dizer para quem ele quer dizer.

Richard Curtis, roteirista de Quatro Casamentos e um Funeral (94), programa seu filme pra encantar, mas faz isso de uma maneira tão deliciosa que é fácil esquecer-se disso. Sabe aquele olhar, as mãos dadas, ficar abraçado assistindo TV? Amor é isso, né? Aquela coisa inexplicável que comanda seus movimentos, toma conta do seu pensamento, deixa você feliz. Simplesmente Amor deve ser visto como um buquê de flores oferecido a alguém. E quando alguém te oferece flores, você aceita, né?

Simplesmente Amor
Love Actually, EUA, 2003.
Direção e Roteiro: Richard Curtis.
Elenco: Bill Nighy, Gregor Fisher, Colin Firth, Liam Neeson, Emma Thompson, Hugh Grant, Martine McCutcheon, Heike Makatsch , Kris Marshall, Keira Knightley, Chiwetel Ejiofor, Andrew Lincoln, Martin Freeman, Joanna Page, Sienna Guillory, Laura Linney, Julia Davis, Edward Hardwicke, Thomas Sangster, Alan Rickman, Rodrigo Santoro, Élizabeth Margoni, Lúcia Moniz, Billy Bob Thornton, Rowan Atkinson, Claudia Schiffer, Shannon Elizabeth, Denise Richards.
Produção: Tim Bevan, Eric Fellner e Duncan Kenworthy. Música: Craig Armstrong. Fotografia: Michael Coulter. Edição: Nick Moore. Direção de Arte: Jim Clay. Figurinos: Joanna Johnston.

Comentários

comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *