Sra. Henderson Apresenta, de Stephen Frears.

Frears se rende aos light-hearted movies numa aposta não muito impossível para o Oscar. O filme se apóia em estereótipos clássicos (a velhota impossível, a frente de seu tempo – Judi Dench, num timing absurdo para a comédia – que encontra um homem durão para confrontá-la) e não traz novidade alguma. O visual, aliás, toda a técnica é competentíssima no mesmo nível que o visual de Chicago o é. A música de George Fenton enche os ouvidos, assim como as belas e bobas canções. Kelly Reilly, a inglesa sem graça de Albergue Espanhol está absurdamente linda.

Iluminados pelo Fogo, de Tristán Bauer.

Bauer tem um talento que um dia espero ver num cineasta brasileiro para cenas em campos de batalha. Competennte na montagem e na câmera, faz um requiém melancólico para a Guerra das Malvinas, mas, apesar de manter a compostura durante quase todo o filme, decide se entregar ao melodrama mais imediato na última seqüência, o que diminuiu bastante o impacto do virtuosismo técnico.

Um Trato em Canção Japonesa Pornô, de Nagisa Oshima.

Infelizmente perdi Três Bêbados Ressucitados, o outro Oshima que estava no Festival do Rio e que ganhou o seguinte alerta para os espectadores: “gostaríamos de informar que o filme é ousado, inovador e radical, o que pode deixar alguns espectadores confusos na saída do cinema, mas garantimos que a cópia exibida está na íntegra e que foi projetada como pensou o diretor do filme”. Com um aviso destes, minha vontade de ver o filme ficou gigantesca, mas eu já tinha comprado outro ingresso. Bem, agora o filme do tópico. Um Trato em Canção Japonesa Pornô é ousado, inovador e radical, o que pareceu ter deixado alguns espectadores confusos na saída do cinema. O cinema-invenção de Oshima é sensorial, engajado e não tem acabamento conformado. Cobrar uma narrativa fechada é pecado mortal.

Comentários

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4 comentários sobre “Festival do Rio 2005: dia 4”

  1. E dar o título português para os filmes de fora? Neste festival, há uma “tradução” genial. O filme, olha só, é português. Na terra natal chama-se ‘Odete’. No Brasil, vai se chamar ‘Odete Alucinada’. E aí?

  2. Razões que só os marqueteiros e suas “pesquisas” compreendem… Mas, realmente, quem iria ver um filme chamado “Odete”? Se pelo menos se chamasse “Valquíria” ou “Dafne”… mas “Odete”?

  3. Pro sinal, ambos os títulos dos filmes do Oshima são espetaculares… Pô, saber dar títulos interessantes aos filmes é pré-requisito para ser um cineasta dos bons…

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